terça-feira, 24 de julho de 2007

Quando o inevitável pode estar prestes a acontecer...

Minha família está se preparando como pode para a partida do meu avô materno para o plano espiritual. Não está sendo nada fácil...Nesse período de minhas férias, eu não tive coragem de ir vê-lo, cada um age da maneira que acha menos doloroso, e eu, particularmente não me importo o que os outros pensam, eu não forço a barra para amenizar dos outros... Eu tenho em minha mente um avô forte, lúcido, cheio de vida, de experiências, que adorava se intrometer com a minha vida, que fazia planos a respeito dela, que sonhava acordado dizendo que ainda me veria andar sem aparelhos, enfim...
O problema, é que tenho uma irmã, a da coluna do meio de três mulheres, que desde que a conheço é a mais mimada e infantil criatura que conheço... Quando ela nasceu, conta a história, que nossos pais tiveram de deixá-la na casa dos nossos avós maternos para que nossos pais pudessem cuidar da filha caçula recém-nascida e que veio ao mundo com deficiência física: EU.
Então, essa minha irmã se apegou aos nossos avós maternos de tal maneira, que agora, com os problemas de Alzeihmer que nosso avô está tendo, teve dois AVC's em menos de um mês, tem 95 anos, e me chame de realista mas, ele tá mais pra lá do que pra cá, essa minha linda irmã, não pára de fazer escândalo, de chorar desesperadamente, de fazer ameaças de suicídio, caso vovô venha a falecer, e por mais que a gente relembre a elas os detalhes de que ela é uma mulher casada, com uma filha de 6 anos, que a nossa mãe que é a pessoa que mais deveria estar sofrendo, está segurando as pontas como pode, e não está nem 5% das atitudes dessa criatura, ela simplesmente não aceita, não entende e ainda causa escândalo pior dizendo que ninguém a entende, porque SÓ ELA ama nossos avós maternos, somente ela era querida por nosso avô e o conhecia melhor do que ninguém...
Detalhe: Por conta da minha deficiência, eu era "obrigada" a ficar na casa de meus avós durante as férias, juntamente com meus irmãos, ela inclusa, e sinceramente, ela não ficava conversando nem 0,1% do que eu conversava com eles dois. Eles a mimavam dando tudo o que ela queria, e comigo os assuntos eram completamente racionais. Nada de mimos, muito pelo contrário, era realismo e naturalidade o tempo inteiro. Nada de voz melosa ou coisa parecida. Têm assuntos que conversava com vovô como exemplifiquei a vocês sobre os planos dele de me ver sem aparelho, que com minha irmã, ele não falava da mesma maneira... E aí? Quem deveria estar tendo crise de loucura, se a questão for "eu conheço ele mais do que você"?
Quando uma pessoa está se aproximando para o outro lado, Deus dá uma oportunidade de ela reconhecer, ter forças para falar e até ficar lúcida repentinamente, como se tivesse se curado, horas depois, a chama da vida se apaga... Isso aconteceu com nosso avô neste fim de semana, e mamãe já está com o coração na mão, porque está preocupada com a vovó, em como ela vai reagir, e agora tem de se preocupar com as crises extremistas de minha irmã, que pra mim é hipocrisia demais...
Sei que provavelmente não estou explicando a vocês direitinho o que está acontecendo, mas vou tentar ter uma conversa definitiva com ela, para que aceite a passagem de nosso avô, para que ele possa se desprender da vida terrena e assim ter seu descanso em paz e ela se conforme e aceite que a vida é assim mesmo e que por mais que desejássemos, não há como nossos entes queridos se tornarem imortais, além da imortalidade do sentimento que temos por eles em nossos corações....