sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Quer ajuda, minha filha?

Oi pessoas!

E aê? Tudo prontinho prum tal de feriadão?! Mais um? Hmmm...Não sei se vai rolar isso mesmo mas de qualquer forma, pra mim vai! =) Estou me preparando para fazer um retiro espiritual com a família.

É da Comunidade Shalom e acredito que será bem bacana por conta do clima de serra e apenas eu, bebê e marido estaremos lá com pessoas que não tem contato conosco... Significa novas amizades: Yay!! \o/

Meu esposo fez essa proposta e achei interessante para que pudéssemos juntos avaliar melhor nossa situação atual. Eu sei que tudo é questão de orar e vigiar, que a perseguição é grande, a inveja é enorme e tem gente que faz qualquer negócio para deixar nossa vida de cabeça pra baixo.

Então vamos lá, né? Acho que serão novos ares, meu bebê com certeza vai adorar e é isso o que importa! Eu particularmente adoro participar de retiros espirituais. A gente retorna com a alma revigorada e pronta pra qualquer coisa!

Érrr...Izabele, por que tu colocou o título do post de "Quer ajuda, minha filha?" -- Porque lá vem a miudinha aqui falar de um assunto que incomoda e muito: Preconceito e dos brabos! E é porque eu tenho uma experiência vasta nesse tipo mas essa que vou compartilhar com vocês, foi braba mesmo! Vixe! Tirem as crianças da sala!

Estava eu, caminhando e cantando alegremente logo após ter descido do meu possante, quando um rapaz de mais ou menos 20 anos se aproximou de mim, ele disse: "Moça, sua bolsa tá aberta". Imediatamente olhei pra bolsa que estava colocada estrategicamente de frente pra mim, impedindo que alguém mexesse nela enquanto eu caminhava. Olhei para trás pra ver se no percurso do carro até onde eu estava, tinha caído algo e realmente um bolsinho estava aberto, verifiquei se algo havia caído dele, mas estava lá. Era uma chave da sala onde presto serviço.

Esse rapaz provavelmente era de rua devido as roupas gastas e sujas que usava e ele me olhou com um sorriso inocente demais, digamos assim. Então o agradeci e quando ainda ia dar um passo, um casal se aproximou, parecia que eles iam para o trabalho e eles disseram: "Quer ajuda, minha filha?" Mas num tom de voz como quem estava ameaçando o vilão e salvando a mocinha! Eu olhei pros dois e olhei pro rapaz e percebi que ele também estranhou a abordagem. Aí do nada, o homem solta a mão da mulher e olha diretamente pro rapaz dizendo: "Qual é o problema, hein?" E tanto eu quanto o rapaz respondemos igual: "Nada".

Foi aí que a mulher disse: "Cuidado com esse povo na rua que aborda a gente. É um bando de safado! Você tá andando sozinha nessa praça? É perigoso. Não sei como você consegue...Você tá indo pr'aonde?"

Eu não respondi a mulher, abri minha bolsa e tirei uma cédula de R$ 5,00 e ofereci ao rapaz que me informou do bolsinho aberto. E disse: "Amigo, obrigada por ter me avisado, poderia ter perdido minha chave. Você já tomou café hoje? Toma aqui pra garantir um cafezinho..." -- O rapaz alheio aos olhares do casal, estendeu a mão e me agradeceu. Ele olhou pra trás mais uma vez e disse: "Obrigada moça, doente são esses dois aí, a senhora é perfeita aos olhos de Deus".



Eu olhei para a direção do casal e os dois se afastaram de mim quase que imediatamente. Engraçado uma situação dessas né? Não vou negar que eles tinham um "quê" de razão mas a maneira como eles falaram com o rapaz, a maneira como eles falaram comigo...Bom, não podemos confiar em ninguém, mas confesso a vocês que fiquei mais temerosa com o casal do que com o rapaz.

E aê, foi apenas a Izabele aqui que ficou indignada com a atitude preconceituosa do casal?

Sério, se eu tenho algum dinheiro, mesmo que eu fique sem absolutamente nada, eu não me importo de dar para alguém que está necessitando. "Ah, Izabele...Mas se você der dinheiro pra esse povo, eles vão comprar drogas e etc." Sim, a minha parte estou fazendo. Não posso ir comprar o alimento para a pessoa necessitada devido a minha limitação. Nossa vida é corrida, infelizmente. Mas pelo menos, eu olhei, eu sorri e tratei normalmente o rapaz como qualquer outra pessoa. Tenho plena consciência de que não o ignorei.

Nunca se sabe, talvez ele quisesse à priori me abordar para um assalto, mas enfim. O fato é que mesmo que esse casal tenha tentado me proteger, a abordagem, arrogância e ignorância foram totalmente desnecessários.

Acredita que eu senti pena e vergonha deles com o rapaz?

E essa é a nossa sociedade... ¬¬