terça-feira, 26 de novembro de 2013

Namorar uma pessoa com deficiência...

Antes de qualquer comentário inicial, gostaria que você desse uma boa olhada nessa foto.

À primeira vista, é uma imagem tocante de um rapaz demonstrando que ele tá pouco se lixando para o que a sociedade pensa sobre os sentimentos dele. Pra esse rapaz, a única coisa que importa, é demonstrar o que ele sente por essa moça que suspira abaixo dele.

E aí? Essa imagem é o fim do mundo pra você? Não, claro que não. Essa é uma demonstração real do quanto uma pessoa limitada ou não, pode ser amada. E amar também.

Tá certo que como pessoas fisicamente limitadas, nós sempre ficamos com o pé atrás especialmente com essa concorrência desleal constantemente se oferecendo, mostrando que podem dar mais do que podemos oferecer aos nossos amados, certo? É, eu sei bem, passei bastante por isso. Já fui traída várias vezes.

É o fim do mundo pra você? Não, não deve ser. Isso acontece com qualquer pessoa, independente de ser deficiente ou não. Se aparecer alguém se oferecendo pra quem você ama, e você também não ajudar, agindo de forma infantil e imatura, vai achar que vai conseguir o quê? Exatamente! Um par de chifres e um trauma terrível no que se refere a confiar nas pessoas.

Eu passei muito por isso. O que devemos fazer é procurar não empurrar exigências, fazer as pessoas se sentirem a vontade conosco. Fazê-las pensar assim: "Poxa vida, ninguém me trata assim. Ninguém me olha assim.".

Participei de uma pesquisa sobre como a sociedade encara uma pessoa com deficiência. Você tem que pensar apenas em uma pessoa especificamente e responder o formulário. Cá está: O que dizer sobre alguém que possui limitação física... e nele eu vi umas perguntas que me deixaram bastante curiosas como, "Você se relacionaria com essa pessoa?", "Se não, seria por preconceito seu ou como a sociedade iria encarar?" -- O bacana, é que a pessoa responde anonimamente e pode abrir o jogo. E eu tenho certeza que haverão respostas do tipo, não ficaria com uma pessoa deficiente por conta de como a sociedade iria me ver.

O preconceito ainda é muito filadamãe, eu sei. Mas se você ficar com essa mentalidade de "meu destino é ficar só", "ninguém vai me querer porque sou assim" e etc, eu acho que realmente ninguém mesmo vai querer olhar pra você. Eu reconheço que eu tinha essa mentalidade de que meu destino era ficar só mas olha só como Deus sempre nos mostra que por mais que a gente faça planos, quem dá o SIM ou o NÃO, é Ele.

Estou chegando aos sete anos de casamento. Olha só? Tanta coisa já aconteceu... Já me separei do meu esposo algumas vezes, exatamente por conta de insegurança. Por achar que por eu ser assim, e ele lindo e perfeito (Ah, qual é, questão de gosto não se discute! :P ), a mulherada desocupada não ia me dar trégua. E Nossa... Já passei por cada situação de mulher se oferecendo ao meu esposo. Mas superei. Acreditei no que ele dizia pra mim, e como mantra, repetia sempre essa frase: Se ele for, é porque nunca foi meu.

E ele nunca ia. Ele lutava, discutia, se afastava indo para os pais dele e eu ficava na imaturidade, sozinha, bancando a besta, perdendo tempo e dando mole para as tiazinhas darem em cima dele. Ele nunca me contou se alguma conseguiu conquistá-lo mesmo que por uma noite. E depois de passar o quinto e pior ano de nossas vidas, agora somos um casal de relacionamento sólido.

Mas eu acho particularmente, que não é fácil conseguir chegar até aqui.

Uma pessoa fisicamente perfeita, linda e maravilhosa, super atraente, com mil e um pretendentes dando sopa, raramente daria mole para uma pessoa com deficiência. Essa mesma pessoa, raramente tem amigos com deficiência física... Ela só passa a ver o nosso mundo quando encara um acidente, uma paraplegia ou tetraplegia... De forma direta ou indireta. Aí sim ela percebe que existe vida após a lesão e corre atrás. E vê que a vida não é tão simples como ela vivia antes. Que para conquistar um coração, dessa vez não vai ser teu corpo quem vai fazer a pessoa se sentir atraída por você. Hmmmm... Bah, a quem eu quero enganar, né? O corpo ajuda se você souber se cuidar, evitando escaras, fazendo fisioterapia e cuidando generalizadamente da sua vaidade. Mas para uma pessoa se apaixonar por você, sendo você uma pessoa com deficiência, você tem que ter como regra número um de conquista: um bom papo.

Quem é que gosta de ouvir uma pessoa com deficiência contando que sua vida é complicada, porque acorda, vai pra cadeira de rodas, aí é uma dependência medonha para tomar banho, se alimentar, fazer cateterismo, bla bla bla?? A pessoa será muito educada se não te deixar falando sozinha.

Namorar uma pessoa com deficiência, é mais sentimento do que carne. Ué? Pode ter lá seus momentos calientes sim, uma senhora mão boba aqui, uma ereção acolá... Um toque aqui, enfim... Se rolar a transa, tem que ser ainda mais cuidadoso(a) porque eu não iria pra cama com qualquer um só pra dizerem que já transaram com uma aleijada. Tem que conhecer a pessoa. Não é legal se entregar imediatamente. Tudo bem que se a pessoa está te procurando é porque ela te deseja, mas concorda comigo que é mais interessante, conhecê-la melhor, saber se ela quer mesmo viver um relacionamento duradouro ou descobrir que você foi só mais uma na lista do cara?

E rapazes, se uma garota está a fim de você, não fiquem dando uma de psicopatas, exigindo, desesperados por atenção, querendo que a vida da sua amada seja única e exclusivamente girando em torno da sua porque isso é a primeira lição que qualquer pessoa que se relaciona com deficientes é que nós ficamos tão sensíveis e dependentes que nos transformamos em maníacos por atenção. E somos arrogantes, ignorantes e não pensamos duas vezes em ofender e passar na cara qualquer coisa, só pra se fazer de vítima.

Tudo isso que mencionei aqui, refere-se a experiências que já vivi. E qualquer dia desses, eu comento melhor, detalhadamente, a maneira que devemos encarar a realidade de um relacionamento com uma pessoa com deficiência.