quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O desejo de uma pessoa com deficiência

Oi pessoas...

Ultimamente eu tenho experimentado umas situações que andam me fazendo refletir bastante sobre o assunto tabu da maioria das pessoas com deficiência física recente que conheço. Pessoas que sofrem algum tipo de acidente e que estão tentando se readaptar a nova oportunidade de viver que Deus concedeu.

Comigo, é complicado explicar como me sinto sobre sexo porque apesar da minha deficiência ter sido congênita, eu tenho limitações e pouca sensibilidade tal qual uma pessoa paraplégica... Não sinto onde deveria sentir durante um ato e confesso que minha sensação de prazer é em ver o efeito que causo no meu amado. Sensibilidade mesmo, eu não tenho.

Conheço pessoas que tinham uma vida sexualmente ativa e estão sofrendo pacas porque se tocam e não sentem o próprio toque, não sentem nada e acham que assim será para o resto de suas vidas. E não é verdade.

Eu não tenho sensibilidade. Ponto. Mas hoje eu sei quando uma mão pousa na minha perna. Quando criança, meu irmão caçula enfiou uma tesoura na minha perna porque não acreditava que eu não pudesse sentir. E apesar do terrível susto, felizmente não foi naquela veia mortal... Senão, nem estaria aqui, né?

Essa sensação dormente de sensibilidade que tenho, é fruto de muita fisioterapia, hidroginástica. E assim, se você não se exercitar, se cruzar os braços e assumir a postura de "Oh pobre de mim, veja como estou", infelizmente, vá assistindo de camarote seu corpo se encher de escaras, as pernas atrofiando e perdendo a musculatura além do esperado e a dependência realmente ficar absurda.

Eu particularmente acho que após um trauma como esse, a pessoa deveria pensar em qualquer coisa primeiro e por último imaginar como seria o sexo.

Primeiramente, não vejo como algo físico. Quem transa comigo, o faz porque gosta de mim, porque me deseja, sabe como sou e não se importa.

Se a pessoa que antes do trauma tinha uma vida sexualmente ativa e fazia com qualquer criatura, hoje vai ter que aceitar que, ou procura um profissional (garoto(a) de programa) ou vai ter que aceitar o fato de ser seletivo(a) em suas escolhas.

"Meu Deus, agora estou assim. Agora, só se eu encontrar alguém que me queira ou se eu pagar por sexo."

Talvez eu esteja sendo insensível, mas para mim, isso não é o fim do mundo. Se você for uma pessoa pra cima, de bem com a vida, que luta para conseguir ser feliz, que é grato por tudo o que estão fazendo por você, que não se tranca ou afasta dos amigos, você é um sério candidato de conquistar quem você bem entender.

Eu vejo essa questão de sexo da seguinte forma: A pessoa (qualquer uma, normal ou não) tem um período de sua vida em que o sexo é praticamente uma necessidade, mas depois, o sexo vai diminuindo e a qualidade preza mais que a quantidade. Depois, o tempo vai passando, você está com a pessoa amada, e uma gentileza, um beijo apaixonado, um carinho, valem mais do que o sexo.

Se seu relacionamento se baseia apenas em sexo, sinto muito, mas nem se iluda se acha que essa pessoa vai continuar com você por muito tempo. Você tem que ter em sua vida, uma pessoa que além de parceiro sexual, também seja seu companheiro, seu amigo de todas as horas. Que tanto você quanto ele, se sintam cúmplices, que queiram viver juntos o mesmo sonho.

Tenho um amigo que tem tetraplegia, mas o caso dele, a mobilidade é superficial e apenas nos braços. A força e a intensidade do abraço dele desconcerta qualquer um... Uma garota que ficou com ele, me confessou que a forma como ele a beijou, deixou a menina super acesa e que ela não pensou duas vezes em se entregar para ele. E que ficou mais louca de desejo por ele porque ele não pensou duas vezes quando a viu nua diante dele na cama e ele pegou um vibrador para "brincar" com ela. Que ele foi super carinhoso, que ela o ajudou a ficar por cima dela e que houveram momentos que ela esqueceu que era um vibrador e foi maravilhoso, que ela gozou muito e que viu o quanto ele tinha ficado satisfeito.

Hoje, ele está numa terapia super intensiva de fisio e hidro para buscar ter forças, quem sabe uma certa sensibilidade e quem sabe até deixar de usar o brinquedinho que tem e usar o original de fábrica que ele tem.

Tenho amigos, que são verdadeiros modelos de tão lindos e maravilhosos e inclusive alguns são garotos de programa (mas não, nunca contratei os serviços deles pra mim... Apesar de uma vez ter considerado, mas não tive coragem de ir até o fim e ligar contratando) e eles já me confessaram que quando é pra transar com uma garota com deficiência, eles sabem que vão sentir muito mais prazer do que com uma garota fisicamente perfeita porque, quem tem a deficiência, não se importa com outra coisa que não seja dar prazer ao parceiro já que nós temos a limitação da sensibilidade.

Tudo é uma questão de adaptação. Só é o fim do mundo se você enxergar assim.