domingo, 1 de dezembro de 2013

A história da prima rica e da prima pobre

Quando criança, e ficava na fazenda dos meus avós maternos, eu sempre pedia ao por do sol, que vovó nos contasse uma historinha. Sentávamos no chão, ao redor de sua cadeira de balanço e ela contava uma história por noite. Eram histórias que ela ouvia de sua mãe, que ouvia da mãe dela e assim, de geração em geração, ajudando na formação das crianças.

Então, hoje resolvi contar a historinha que eu mais gostava de ouvir. A história da prima rica e da prima pobre. E ela era mais ou menos assim...

foto meramente ilustrativa, não desmerecendo a modelo.
Era uma vez, a prima rica e a prima pobre. A prima rica, era casada e tinha uma filha, onde moravam numa linda fazenda num alto de um cerrado e sua prima pobre, era viúva, tinha dois filhos e moravam num casebre caindo aos pedaços próximo a um córrego.

Naquela época, as pessoas trabalhavam e recebiam como pagamento a comida e as roupas que seus patrões lhe davam. A prima pobre saía de casa bem cedinho, levando seus dois filhos pequenos nos braços e assim que chegava na casa da prima rica, ia fazer as tarefas da casa, enquanto os meninos iam brincar com a priminha rica.

A prima rica não lhes negava alimento mas era muito arrogante. Ela viu os menininhos brincando alegremente no jardim com sua filhinha e não quis que esta cena se repetisse. A prima pobre não tinha como conseguir sustentar seus filhos se não continuasse trabalhando para a prima rica, e ficou preocupada como faria para alimentar seus filhos de agora em diante.

Todas as tardes, a prima rica queria um bolo feito na hora, para tomar com seu chá.

No dia seguinte, a prima pobre não levou seus filhos consigo e seu coração ficou apertadinho. A prima rica não lhe deixou faltar alimento para o dia. Mas não permitiu que levasse nada para casa. A prima pobre ficou muito triste e não conseguiu imaginar como faria para dar de comer a seus filhos que estavam sem comida o dia inteiro.

foto meramente ilustrativa

Chegou a hora de fazer o bolo da tarde. A prima rica queria que fizessem o bolo para acompanhar seu chá. Então, a prima pobre teve uma ideia. Quando preparasse o bolo, ela não lavaria suas mãos ainda sujas dos ingredientes, e quando chegasse em casa, faria um mingau para as crianças.

E assim, ela fez. E durou mais ou menos uma semana. Até que a prima rica, ficou sabendo do que a prima pobre estava fazendo. Mas ao invés de se sensibilizar pela situação de sua prima, a rica resolveu lhe pregar uma peça.

Pediu para que a prima pobre a acompanhasse nas refeições e conversou animadamente sobre assuntos irrelevantes, até que chegou a hora de fazer o bolo. A prima pobre se apressou logo a fazer o bolo para ir para sua casa. Porém, a prima rica não saiu do seu pé. E quando chegou a hora de ir para casa, a prima rica não permitiu que ela saísse com as mãos sujas.

A prima pobre chorou, implorou dizendo que não havia necessidade, que quando ela chegasse em casa, ela iria lavar suas mãos. A prima rica não lhe deu ouvidos e exigiu que ela lavasse as mãos. E o pagamento pela semana seria um vestido comprado na cidade grande, sem muito luxo mas que cairia muito bem na prima pobre.

Chegou a hora de ir para casa e a prima pobre chorou, rogando a Deus que lhe concedesse ajuda e forças para passar aquela noite com seus filhos, sentindo fome. Então, no meio dos galhos secos dos arbustos, ela avistou um franguinho. Olhou para os lados e pensou: "Obrigada meu Deus, vou fazer esse franguinho frito para meus filhos".

Ao chegar em casa, as crianças estavam encolhidas no canto, com fome, e quando viram a mãe chegar, correram em seu encontro, esperando que ela fosse fazer o mingau. A prima pobre explicou a seus filhos que não iria fazer mingau naquela noite e sim um jantar especial. Porque ela sabia que Papai do céu, mesmo vendo suas dificuldades, não os deixou na mão.

Pediu as crianças para tomar um banho, enquanto terminava de preparar o franguinho frito. Nesse momento, alguém bateu em sua porta.


Ela viu um homem segurando um cajado na mão, parecia muito cansado e estava sujo e a roupa maltrapilha. Ele lhe disse que estava com muita fome, que estava a uma semana sem se alimentar.

A prima pobre lhe respondeu que ela também não tinha comida a lhe oferecer, mas poderia lhe oferecer um pedaço do franguinho que ela fez. O prato já estava na mesa e as crianças, banhadas e aguardando sua mãe para repartir os pedaços para cada um, já aguardavam.

O senhor sentou-se na mesa e enquanto a prima pobre foi buscar uma jarra de água para beber do pote mais límpido e refrescante que tinha, ao virar-se novamente para a mesa, viu que o homem havia comido todo o franguinho e as crianças, com os olhos cheios d'água, apenas olhavam para ele e para sua mãe, sem saber o que fazer.

A pobre mulher colocou a jarra de água na mesa, olhou para o homem e não esboçou raiva, revolta ou desgosto. Mas chorou sentida e contidamente, e olhou para o teto como se sua visão ultrapassasse ali e avistasse o céu em suas cabeças e disse: "Oh Senhor, obrigada por me servir de instrumento para ajudar este senhor. Por favor, que este senhor tenha conseguido saciar sua fome, pois esta noite, eu e meus filhos não teremos mais o que comer."

E o homem que havia comido todo o franguinho, levantou seu olhar para a mulher e disse: "Mulher, não chore. Pois eu mesmo sendo forasteiro, me hospedastes, tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber. A quem fizer o bem, sem olhar a quem, é a Mim que me fazes. E a partir de hoje, tua vida mudará e nunca mais sentirá fome."

E a prima pobre reconheceu Jesus Cristo e lhe agradeceu de todo o coração. Rezaram e cantaram louvores. E ela e seus filhos nunca mais passaram fome.

Moral da história (para mim): Seja humilde e ajude sempre o próximo. Valorize o que você tem. Nunca perca sua fé, pois Deus nunca nos abandona.