sábado, 7 de dezembro de 2013

O que não devemos dizer ou fazer com pessoas com deficiência...

Hoje em dia, as pessoas que têm algum tipo de deficiência estão saindo mais de suas casas e participando mais da vida em sociedade, porém, ainda é natural que algumas pessoas fiquem desconfortáveis por estar perto de uma pessoa que usa uma cadeira de rodas, ou que está de muletas/bengalas/andadores e órteses. Por não saber como agir diante dela, acabam cometendo algumas gafes, que às vezes nem "se ligam" que estão fazendo. Para você que não tem nenhum tipo de deficiência física, te dou umas dicas para que evite nos chatear com comentários dispensáveis, afinal, todos devemos lembrar do bom senso e educação que papai e mamãe nos deram.

* Para os cadeirantes: Vá devagar, você vai acabar recebendo uma multa -> Podemos estar sobre quatro rodas, mas por favor, não nos compare com outros veículos de quatro rodas como se fôssemos carros. Muitos cadeirantes já usam a cadeira de rodas há muito tempo, possuem uma habilidade invejável e certamente já ouviram essa piadinha milhares de vezes! Tudo bem que bom-humor é sempre bem vindo, mas vamos ter bom senso na tentativa de quebrar o gelo, né? Se estamos indo rápidos demais, é porque estão indo devagar demais e atrapalhando nossa passagem. Então, o melhor a fazer é sair da frente.

* Para os marchantes: Vixe, como anda rápido. Cuidado! Pode ir mais devagar! -> Traduzindo: Tu vai cair já-já tentando andar no nosso ritmo. -- Ok, talvez possamos andar num ritmo mais lento ou não, mas existem formas mais sutis de demonstrar seu cuidado conosco. Dizer descaradamente que não somos capazes de acompanhar o passo de alguém, machuca nosso ego. E de novo, se a pessoa com limitação física consegue andar mais rápido que você, é muito provável que você esteja atrapalhando o ritmo de andar dela, indo mais devagar. Então, o melhor a fazer é sair da frente, também!

* O que aconteceu com você? Por que você é assim? -> Quando são pessoas com alguma limitação física e questionam de forma informal, não incomoda tanto quanto aquelas pessoas curiosas, que nem te conhecem, que te encaram e te param no meio da rua pra perguntar "O que aconteceu com você?" ou "Nasceu assim, foi?"... daí irrita mesmo. Há inúmeras maneiras educadas de perguntar isso, mas você realmente não deve perguntar antes de conhecê-los um pouco melhor. Realmente não é da sua conta, assim como a forma como você não gostaria que seus problemas pessoais fossem abertos para discussão com estranhos. Sinceramente, quem me para e pergunta dessa forma, recebe uma resposta bem arrogante, do tipo, eu não parei pra te perguntar por quê VOCÊ é assim... Mas hoje, a minha resposta é uma só, independente se for criança ou adulto: "Pergunta pra tua mãe, ela deve ter te ensinado boas maneiras".

* Como você tem um ROSTO bonito! Você tem um sorriso muito bonito. -> Muitas pessoas com deficiência já devem ter escutado isso, eu mesma já ouvi trocentas vezes... No começo eu realmente ficava incomodada com este comentário, pois é a mesma coisa que a pessoa falar "você tem um rosto bonito, mas o seu corpo não". Então, para não magoar nossos sentimentos já inseguros, evite falar esse tipo de coisa... Acho tão desnecessário isso! Independente da pessoa ter ou não um rosto bonito, fale pra ele(a) "como você é bonito(a)", ok? Generalize pois se a pessoa tem o rosto, sorriso, atitude, simpatia e a personalidade cativante, ora essa, essa pessoa É bonita de qualquer jeito!
* Coitadinhoooo(a), bichiiiiinho(a)... -> Levante da cadeira, o cadeirante que nunca ouviu isso! kkkkkkkkkkkkkkkk Eu duvido que existe algum(a) cadeirante que não foi chamado de coitado(a). Se você nunca foi chamado(a), espero sinceramente que esse dia jamais chegue para você. Concordo que existem pessoas em situações bem difíceis, mas sem dúvidas, ser chamado de "coitadinho(a)" não pode significar outra coisa que não seja uma ofensa. Uma maneira direta de considerar uma pessoa incapaz. Conheço cadeirantes e marchantes que poderiam estar no comodismo e conforto de suas casas, tendo tudo nas mãos, esses, eu acredito que optaram por essa vida, mas existem aqueles que lutam, que estudam, que trabalham, que cuidam sozinhos de uma casa e não tem como chamá-los de coitados; todos têm uma vida um pouco diferente comparado com a vida de um andante, mas todos arrumam maneiras de fazerem tudo o que querem. A questão é que as pessoas nem conhecem a pessoa com deficiência e já pensam que por depender de uma cadeira de rodas ou um par de bengalas ou muletas são coitadinhos. Por isso, peço para você procurar conhecer melhor a pessoa que anda em uma cadeira de rodas ou anda com órteses, aparelhos e bengalas, antes de tirar alguma conclusão. Desta forma, ao invés de desanimar e nos ofender chamando-nos de coitadinho, você perceba que somos guerreiros e use palavras confortantes e animadoras.

* Não dê esmola para uma pessoa com deficiência. Não precisa ter pena de nós. -> Eu não sei qual a associação que as pessoas fazem, para terem a ideia de que necessitamos de um agrado. É claro que existem muitas pessoas em situações financeiras bem ruins, mas já ouvi casos em que cadeirantes que estavam apenas passeando no centro da cidade ou cinema e foram parados por pessoas que lhes deram moedinhas. Eu já fui abordada na porta de uma churrascaria, na hora eu não entendi aquilo mas quando a ficha finalmente caiu, eu fiz questão de ir na mesa do homem e devolver seu dinheiro. Ele ficou ofendido, dizendo que só quis fazer algo bom. Eu respondi que ele fizesse doando algo para alguma instituição de caridade, isso era fazer algo bom. Mas, a maioria das pessoas com alguma deficiência que passam por isso, ficam numa situação desconfortável quando acontece. Tente se colocar no nosso lugar, é constrangedor de mais! Quer ajudar alguém, oferte mensalmente para alguma instituição. Isso é o certo a fazer, isso é fazer algo bom para alguém.

* Se quiser saber algo sobre a pessoa com deficiência, pergunte diretamente a ele(a) -> Isso já me aconteceu nem uma, nem duas, mas várias vezes! E é mais comum acontecer em consultório médico, onde a assistente parece não se tocar que o que está acontecendo é ridículo. Por que não perguntar diretamente para nós? É claro que algumas pessoas têm dificuldade na fala, mas não custa nada tentar interagir com a pessoa. Afinal, para a surpresa de muitos, existem muitas pessoas com deficiência física que podem falar e expressar uma opinião bastante interessante!

* Não se espante ao ver um(a) pessoa com deficiência com um(a) namorado(a) -> É lamentável que ainda exista ignorância e falta de educação! Muitos andantes acham que um(a) pessoas com deficiência namorar é coisa de outro mundo; nem disfarçam a cara de espanto quando vêem um casal de namorados onde um é cadeirante ou marchante; a situação fica bem pior, caso os dois sejam cadeirantes... É constrangedor! Já costumamos atrair olhares por andarmos em uma cadeira de rodas, mas quando o cadeirante tem uma namorada(o), parece que, sentado na cadeira está o "Papai Noel". Todos olhares são atraídos, uns de espanto, outros de "meu Deus, como pode isso?", ou ainda aqueles olhares das senhorinhas quase chorando de alegria "oh que bonitinho, parece o casal da novela". Por favor gente, nada disso é anormal e extraordinário. Já cansei de dizer e escrever, mas repito... Pessoas com deficiência também são pessoas que têm sentimentos e que podem amar e ser amados! Ah!!! E transar também! Mas isso a gente curte entre quatro paredes e raramente com platéia.

Já fiquei muito macho quando apareci de barrigão pr'acolá e o povo me parando com semblantes impressionados questionando: Oh, você tá grávida? Mas como?! -- Ah vá! Não aguento! Começo logo respondendo: Meu marido abriu minhas pernas, enfiou o pau dele dentro de mim, e fez tão gostoso que taê, estamos esperando um filho. -- Sério, não tenho mais paciência com preconceito e ignorância... Povo curioso... Coisa chata! Todo mundo sabe como se faz para engravidar... Me poupe!

* Fazer da pessoa com deficiência, um verdadeiro porta-objeto. ->
Pense numa pessoa brava quando penduram sacolas em minha na cadeira... Nossa gente, eu odeio isso com todas as minhas forças!!! Meus amigos e familiares já sabem disso e avisam todo mundo que eu não gosto que façam isso comigo... A questão das sacolinhas penduradas atrás de mim me irrita muito porque quando eu ando com a cadeira, a sacola fica encostando no pneu; às vezes tranca a roda ou se não, rasga a maldita da sacolinha e ai é um Deus nos acuda. Quando são mochilas e bolsas, o pneu arranha e suja... Nossa, não suporto mesmo! Existem pessoas que também não suportam de ficar com uma bagagem no colo, quando cadeirantes, e dependendo da situação, são esquecidos ali com aquelas bolsas e pastas e o restante da turma que acompanhava a gente, vai embora dançar, buscar uma bebida e a gente ali, esquecido de canto... Poxa, tenham mais consideração. Isso não é coisa que se faça com quem vocês consideram amigos, nós temos sentimentos, se nós saímos de casa com vocês, foi na intenção de nos socializarmos, de curtirmos tudo juntos e não assim! Bom senso gritando mais uma vez, né?

* Não afaste seu(a) filho(a) de perto de um(a) pessoa com deficiência como se fôssemos contagiosos. -> Quem é cadeirante já está acostumado com as diversas formas que as crianças reagem ao ver um (a) cadeirante. Da mesma maneira com pessoas que usam muletas e bengalas... Algumas ficam olhando assutadas, outras perguntam aos pais o porquê da cadeira de rodas e aparelhos e outras até se aproximam para brincar com nossos objetos. Dependendo da reação da criança, eu posso ser simpática ou não. Mas quando a questão são os pais, aí já muda um pouco. Já vivi inúmeras situações de estar num local, nem percebi que tinha uma criança tocando na minha cadeira ou bengalas e de repente vinha aquela pessoa puxando a criança, colocando no colo e dizendo em alto e bom som: "Sai daí, menino! Quer derrubar a mulher? Não toca nisso não!!" Aí a criança te olha assustada e se ela não for carregada pra longe de você, ela se afasta olhando fixamente para a cadeira ou bengalas e vai pra bem longe... Atitude desnecessária né, gente?! Muitos acreditam que essas pessoas têm essas atitudes, por pensarem que a deficiência é contagiosa ou algo assim. Eu não consigo acreditar nisso, será que existem realmente pessoas com tamanha ignorância? Lamentavelmente, não é de se duvidar! Já vivi momentos em que atravessaram para o outro lado da rua para não ter que passar por mim. E eu sei que era por puro preconceito, porque essas pessoas não conseguem nos olhar nos olhos e nós percebemos a atitude no ar. Aos pais que agora estão lendo este post... não façam isso com seus filhos, não tenham medo que eles perguntem sobre a cadeira de rodas, órteses e bengalas, expliquem para seus filhos e quem sabe, até incentive seu filho a interagir, respeitando os limites, para que ele não tenha preconceito?!

Essas são as situações que eu passo, e que talvez, quem não tem deficiência alguma ache que estou sendo arrogante, exagerada ou ignorante, mas na verdade, só quem passa por essas situações sabe o quanto é incômodo. Então, fica a dica!