quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Quando a idade chega...

Oi pessoas...

Queria que essa semana já tivesse acabado, como também gostaria que ela sequer tivesse começado. Não sei dizer se estou me aproximando do olho do furacão ou se já estou saindo dele... Só sei que estou ainda anestesiada...Olhando tudo ao meu redor como se estivesse em câmera lenta. Hoje passei muito mal. E quando melhorei, chorei. Queria que minha vida acabasse logo ao mesmo tempo que temo partir antes de resolver minhas pendências. Não posso ir embora dessa vida sem antes resolver problemas tão sérios dos quais eu mesma criei. Não posso permitir que uma pessoa sofra por minha causa. Eu sei o que é sofrer e não desejo isso pra ninguém. Especialmente os que mais amo.

O motivo de ter passado mal foi por ter recebido uma ligação logo cedo pela manhã. Minha madrinha com 86 anos está se despedindo da Terra. Oh, mês de agosto...por que tanto desgosto? Queria tanto entregar esse mês a gosto de Deus. Já coloquei tanto meu joelho no chão suplicando pra tanto sofrimento acabar mas parece que meus merecimentos dizem que ainda vem mais por aí. Às vezes lembro repentinamente de alguém e penso que o tempo dela está acabando... Isso aconteceu na semana passada. Lembrei da madrinha do nada e da idade avançada dela. 

O que aconteceu foi que ela caiu e fraturou o fêmur. A medicação dada pelo médico causou reação e sabe lá Deus como perfurou o intestino dela. Está na UTI e segundo o médico, só resistirá até 48 horas...Digo, agora bem menos que isso... Não estou preparada pra me despedir dela. Primeiro meu padrinho Chico, depois minha avó Otília (a primeira pessoa querida da minha família que eu vi em um caixão), depois meu tio Onofre e agora minha madrinha...

Nessas horas eu fico com pensamentos mórbidos... Fico imaginando quando finalmente chegar minha hora. Fico relembrando a sensação da morte. Aquela vontade de dormir, de ficar relaxada, de se entregar... A sensação de um desmaio é a sensação mais próxima na minha opinião pra quem está partindo. Você vê que é algo mais forte que você, que vai além do seu controle e então você perde as forças e se entrega. 

Quando acordei finalmente, tive as consequências do mal estar que tive e foi horrível. Por estar sozinha em casa no momento, não tinha forças pra me levantar. Quando cheguei no banheiro, consegui renovar as forças num banho demorado e enquanto estava penteando o pouco que ainda me resta do meu cabelo entre meus dedos, já que não posso usar escova ou pente senão fico careca de vez, vi alguns fios brancos teimando em querer chamar atenção sobre os demais. Olhei para minha mão e vi um destes fios. Estiquei-o e fiquei olhando-o admirada por alguns minutos. Não fiquei pensando nada específico. Apenas vieram flashes da minha infância. Lembrança de ouvir grosseiramente dos médicos, como se eu não fosse entender, que eu não ia passar dos cinco anos, dos dez, dos quinze... ¬¬ E aí, galera? Ainda estou aqui... Ah é, vocês é que já passaram desta para uma melhor...

Lembro que nos meus 15 anos, eu quis fazer uma regressão pra tirar umas dúvidas de coisas curiosamente românticas que me contaram sobre meu passado em outra vida. E então, quando cheguei em casa, usei uma máquina de datilografia eletrônica (coisa chique na época) pra descrever como foi a experiência. Dia desses reencontrei esse papel aqui em casa. Cheguei até a desenhar a capa colocando uma bailarina... No final da minha pequenina redação, eu dizia que esperava reencontrar a pessoa que havia morrido comigo, ainda nesta vida, já que havia descoberto que ela já tinha reencarnado mas era mais nova do que eu. E esperaria viver bastante tempo, até ficar velha...No máximo uns 35 anos.... Hahahahahahahahahahaha Ai ai... Minha idade hoje.

Bom, pelo menos reencontrei a pessoa. Daria um livro bacana se eu tivesse saco pra escrever... Falaria do que eu tinha visto do lado de lá e como ficou o relacionamento do lado de cá... Novela mexicana perderia feio pra essa história.

Voltando ao fio de cabelo... Pois é, 35 anos hoje, estou ficando velha e o tempo está passando. E eu estagnada... Quero acreditar que ainda há muito pra acontecer pra não enfiar os pés pelas mãos e fazer besteira, mas às vezes dá vontade. Muita vontade mesmo. E é aí que me questiono porque a medicação da depressão não me ajuda...E o mais de lascar é que se eu não tomar, eu fico doidinha! Me tremendo toda, zonzinha... Esquisito demais! Então me aquieto, fecho a porta do quarto, apago a luz e vou lá pro cantinho da parede ficar deitada e encolhida. Sem querer fazer nada, só dormir. Porque assim, não vou chorar, nem pensar besteira e nem querer acabar com minha vida. E enquanto durmo, reencontro pessoas em sonhos e elas conversam comigo, olham pra mim. Chamam meu nome.

Quando marido e filhos estão em casa, o esforço é doloroso em tentar fazer pequenas tarefas domésticas para atender os pedidos deles. Mas eu faço. A verdade é que enquanto esse pesadelo persistir, enquanto eu ficar preocupada pensando e pensando no pior, em como devo reagir, ou o que devo fazer, eu não vou conseguir seguir. A verdade é que quando eu penso que se o pior realmente acontecer, eu vou ser capaz realmente de fazer besteira porque eu não vou suportar inúmeras pessoas me crucificando merecidamente pela consequência dos meus atos. Eu não vou conseguir resistir se o pior acontecer. Mesmo amando incondicionalmente meus filhos... Chorando agora só de pensar mas...eu não vou conseguir continuar. Se eu destruir a vida de quem eu amo, eu destruo a minha porque não há mais razão pra viver.

Queria que essa semana já tivesse acabado, como também gostaria que ela sequer tivesse começado. Mês de Agosto e seus desgostos... "/