terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vida a dois...com alguém ESPECIAL.


Oi pessoas,

Hoje a postagem é em reconhecimento ao homem que Deus sorriu pra mim e disse: "É esse".

Lembrar da primeira vez que o vi, da segunda vez quando o reencontrei e como ele reagiu ao me reconhecer, lembrar da emoção que tinha quando ele vinha falar comigo, a maneira como sorria e me olhava. A atenção que me dava. 

Lembro do nosso primeiro encontro para nos conhecermos melhor, dele se auto-convidar para assistir um filme (mesmo sendo comédia, e mesmo eu não fazendo ideia do assunto porque eu ignorei completamente apenas admirando-o rir com as cenas e comer pipoca) na minha casa... O filme? Me, Myself & Irene. Só sei que tem o Jim Carrey, o resto não faço ideia do que é.

Lembro da primeira vez que saímos juntos e ele riu muito por ver minha reação andando de ônibus (coisa que eu não fazia), que como ele destacou: "parece uma menininha se divertindo num parque" e seu olhar absurdamente terno quando eu respondi que era porque era a primeira vez que eu me sentia como uma pessoa normal, sem limitação alguma. Que ele tinha me feito esquecer isso.

Lembro do seu olhar quando o ajudei a resolver um problema no trabalho e ele me esperou pra agradecer pessoalmente minha ajuda. Lembro da primeira vez que nos estranhamos e era uma coisa estranha... não éramos namorados (ainda) mas não conseguíamos ficar sem se falar. Lembro que ele bloqueou minha passagem num corredor que ele sabia que eu ia passar, e quando me aproximei ele disse: "Não quero ficar assim com você. Você é especial demais pra mim". E riu gargalhando quando eu brinquei em resposta dizendo: "Tá bom...voltamos então. Mas se você for chato de novo, eu termino contigo e nem aviso".

Lembro da dor que senti quando ele me contou com riqueza de detalhes o que ele fazia com as garotas que ficava. Ele saía com alguém e quando deixava a garota em casa, ao invés de ir pra casa dele e encerrar a noite, ele ia pra minha casa e passávamos a noite em claro conversando e rindo das minhas caras enojadas pelo desprezo que eu dizia que ele demonstrava pelos sentimentos das pobres garotas apaixonadas e que Deus estava vendo a atitude dele e ela ia ver o que ia ser bom pra pele... Naquele dia eu percebi que eu era mais uma na fila... Mas com certeza não tinha a menor chance.

Lembro quando não aguentei mais essas vindas dele na minha casa nos fins de semana, virando noites, deitando a cabeça na minha perna, chegando até a dormir... Lembro que reuni o máximo de coragem que tinha e contei a ele que estava apaixonada, que sabia que não tinha chance e que precisava me afastar pra poder esquecer ele. Lembro da reação dele. Lembro que ele quis se levantar e me abraçar, mas eu chorava soluçando pedindo por favor pra ele ir embora. Não sei lidar com essa sensação de piedade que as pessoas demonstram. Lembro dos meus pais me elogiando por ter sido corajosa e ter me declarado e dizerem que eu deveria agradecer a Deus por ter pelo menos ele como amigo.

Lembro que pouco tempo depois de ter me declarado, o aniversário dele chegou e eu o presenteei com algo que o surpreendeu de tal forma que ele tentou se conter pra não me beijar ali mesmo. Lembro dele roendo a unha como se estivesse se decidindo e pensando intrigado: "Meu Deus, essa garota gosta mesmo de mim". Lembro da primeira demonstração de ciúmes que ele teve comigo quando um amigo de infância veio me visitar no meu aniversário e ele deu piti, todo indiferente falando comigo.

Eu poderia passar horas revivendo cada momento vivido com meu esposo. As coisas boas e as coisas ruins que passamos, mais por imaturidade minha e despreparo emocional. A cada dia que passa, eu percebo o quão sortuda fui em encontrar esse homem e conseguir conquistá-lo.

As coisas que ele já fez pra provar seu amor por mim. Os tapas que ele dá nos preconceitos alheios pela minha limitação. E o mais bacana... O mesmo olhar dos primeiros meses que nos conhecemos... Como se ainda tivesse muito a me conhecer. E mesmo me percebendo constrangida pela minha limitação e aparência física, ainda assim, me ama e me deseja todos os dias. Não tem som mais incrível do que ouvir sua risada, seu respirar enquanto dorme profundamente... Aquela sensação tão forte de paz.

Graças a Deus aprendemos o que é ser família e amadurecemos. E hoje, saímos na porrada primeiro em quem nos aborreceu e depois perguntamos o que foi. Defendemos um ao outro com unhas e dentes... E nossos filhos, que veem nosso dia-a-dia, que brincam e ri muito das nossas conversas durante o almoço e o jantar. Que entendem, mesmo tão novos, sobre minhas limitações e necessidades e me ajudam em casa em tudo o que é necessário.

Não sei se há mais casais assim como a gente, espero que sim. Mas eu estou educando meus filhos para serem homens incríveis como é meu amado esposo. Rogo a Deus que me conceda a oportunidade de ficar bem velhinha ao lado dele, de ver nossos netos...E ainda reconhecer esse mesmo olhar intrigado e surpreso por perceber o quanto gosto dele.