quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dia da criança - Consumismo e Inocência

imagem ilustrativa

Quando criança, eu sonhava com a chegada do dia da criança... Tinha esperança de ganhar uma boneca Barbie, ou um ursinho de pelúcia bem gostoso de abraçar e dormir... Ou quem sabe, ganhar a assinatura de revistas em quadrinho da Turma da Mônica, ou do Mickey, Donald e Pateta, da Xuxa, do Didi, do Leandro & Leonardo ou do Seninha... Ou quem sabe até do Zé Carioca... Até do DC Comics ou Marvel tava valendo... Sendo quadrinhos, eu topava...

imagem ilustrativa

Mas isso dificilmente acontecia. Como normalmente acontece até hoje, muitos pais parabenizam o dia da criança dando uma roupa nova, um passeio no shopping ou ir à praia. Comigo, o mais usual era ganhar roupa. Roupa de geração, na verdade... Aquela que a irmã mais velha tinha, que passou pra outra irmã até chegar a sua vez... kkkkkkkkkkkkkkkkk -- maldade, tô zoando. Não, meus pais, variavam, às vezes eram esses passeios, ou um brinquedinho mais em conta e roupas novas sim.

Pois é... O tempo vai passando, a gente vai frustrando porque não ganha o que tanto quer e chega o momento de aceitar que dia da criança não passa de uma data com fim comercial. E é. Não há como negar, realmente. Porém, eu acho que esse pensamento é meio "dor de cotovelo" por não ser mais criança e não poder mais ganhar nada porque cresceu.

Bom, tenho filhos e já passei a ideia de ser uma data comercial, que não temos como comprar brinquedos como eles tanto desejam, porém, eu procuro atender um dos tantos desejos que eles têm. De acordo com o merecimento deles, é claro. Recebi o boletim de ambos no início do mês e ambos tiraram ótimas notas, inclusive se destacando em sala de aula... Desculpae, mas enfim... hehehehehe

Daí que neste ano, minha visão "inocente" voltou. Por quê? Bom, porque eu vi algo que pensei que não existia mais. Vi pessoas quase me fazendo bater o carro na traseira do carro delas porque aproveitavam o farol fechando para se aproximar do meio fio e entregar presentes pras crianças que aguardavam ansiosas por alguém acenando embrulhos na direção delas.

imagem ilustrativa
Não deu pra me zangar. Fiquei apenas mais atenta. E assim, reparei aquela pequenina multidão em cada farol, algumas com várias bolas de futebol ensacadas, ou carrinhos de madeira ou de plástico, ou peças de roupa -- e roupas novas, tá?

Quanto mais eu me distanciava da minha área, menos eu via essas atitudes... Cheguei então na área nobre e vi que de nobreza ali, realmente...Tá ruim... Quero então acreditar, que se essas pessoas não fazem isso, pelo menos, elas possam doar brinquedos usados ou roupas para instituições, ou doações de alimentos ou dinheiro... Vamos ter fé, vai? De 100, talvez metade faça isso ainda.

Mas foi legal e fiz questão de fazer esse post para testemunhar pra vocês que apesar de ter visto na véspera deste dia comercial, pessoas brigando pra comprar um determinado brinquedo relativamente caro... Foi como levar um tapa da vida: "Olha Izabele, existem pessoas assim, mas existem outras assim." Graças a Deus.

imagem ilustrativa

Foi tão constrangedor ver duas mulheres brigando por um último brinquedo, pareciam duas amarelas do buchão, menina véia mesmo brigando por besteira, sendo que atualmente, as coisas estão tão descartáveis, e a pessoa não pensa que a criança, por ter uma mente tão criativa, rapidamente terá sua atenção voltada para outros interesses: um desenho na TV, um joguinho no tablet ou computador, ou mesmo o brinquedo que ela já estava brincando anteriormente... Mas o problema hoje é o orgulho. Ele está acima de tudo. Feriu o ego, o orgulho da pessoa... Lascou. Até eu sofro disso às vezes...

A situação de muitas famílias atualmente está difícil... Não só pela questão das dificuldades financeiras que estamos enfrentando atualmente mas acho importante ensinar nossas crianças que coisas materiais são alegrias momentâneas e a verdadeira alegria é a união, paz e capacidade de se divertir verdadeiramente em família ou com seus amiguinhos. 

Bode Gaiato - Dia das crianças
Não tem presente no mundo que supere um pai dedicar seu tempo pro filho. Do que aconchegar-se nos braços da mãe. Mas sim, para a criança neste dia, e para os pais, no dia dos Pais, assim como para as mães no dia das Mães e os enamorados, no dia dos Namorados, é importante e legal ser lembrado. Seja de que maneira for. Contanto que demonstre todo amor e carinho por quem presenteamos. 

O valor para pessoas que realmente valem a pena, isso pouco importa. O tempo vai passar e um dia, quem sabe, os sonhos de cada uma dessas pessoas possa se realizar? Eu particularmente, quando fiquei adulta, casei e tive meus filhos, foi então, que tive a chance de realizar meus sonhos de menina: Uma Barbie (e cadeirante), um urso de pelúcia (e esse agora é gigante)... Enfim...


Mas não nego o quanto sinto saudade dos meus tempos de menininha... Ali, eu era feliz e não sabia. Ali, eu tinha meus pais mais jovens, cheios de vigor (graças a Deus, estão mui bem, obrigada) que sempre estavam ali para cuidar de mim. Me proteger, me aconselhar e confortar.

Tempo... Precisamos muito aproveitar o que ele ainda nos oferece e aproveitar cada momento. Logo, não julgarei mais o dia das crianças. Cada um com seus motivos.