terça-feira, 1 de novembro de 2016

Bó malhar? Musculação / academia adaptada

Oi pessoas!

Eu achava realmente que esse dia nunca chegaria... Não seria tão estranho fazer hidroginástica, já que é uma atividade tão conhecida para reabilitação motora. Mas musculação? Eu? Pode me chamar de besta, mas foi incrível a sensação de me sentir "normal"! Sim, é neura e eu estou trabalhando nisso com a psicóloga.

Relembrar da maneira infeliz que fui tratada na experiência de ir à uma academia, foi algo que imediatamente exorcizou assim que fiz minha primeira série de três fazendo 15 vezes cada exercício me fez enxergar que não era esse bicho de sete cabeças que eu pensava.

Então, toda produzida com camisa do Halleluya do Shalom, lá fui eu ser feliz no meu primeiro dia no SARAH, fazendo musculação!

Segundo meu instrutor e terapeuta, Cristiano, primeiramente ele avalia como poderemos nos comportar em cada equipamento. Esses equipamentos, podemos substituir de boa por halteres ou no meu caso, por garrafinhas de 500ml e depois de 1 litro de água, que o resultado é o mesmo. Eu ficava fazendo essa brincadeirinha das garrafinhas em casa, mas sem saber se estava fazendo corretamente.

Hoje, foi trabalho específico nos braços, costas e peitoral. E eu fiquei exausta! Uma hora de exercícios e pausa de 30 segundos para cada equipamento. 

Me senti super a vontade, fiquei mais tranquila e consegui me imaginar realmente em qualquer academia. O único diferencial realmente, é a necessidade da adaptação para cadeira de rodas. Mas isso, é muito fácil de realizar. É claro que não vai ser qualquer academia que irei, porque mui provavelmente as de 'esquina', ficam com os pesos, colchões e barras espalhadas pra todo lado, sem espaço para mobilidade da cadeira, então... Mas isso, eu vejo depois.

O que percebi mesmo entre o SARAH e qualquer academia é apenas a boa vontade do instrutor que estiver conosco em adaptar o equipamento para que a cadeira de rodas possa ficar travada e te dê então, toda a segurança que você precisa para fazer os exercícios.

Vamos mostrar? Antes de qualquer coisa, precisamos ter uma roupa adequada para exercitar. Depois, precisamos fazer alongamento de pelo menos 20 segundos para cada braço, depois alongando punhos... Toda a preparação pra 'puxar peso'. Daí, meu terapeuta adaptou o equipamento na altura necessária para minha cadeira de rodas e...

Foi assim, minha gente... Primeiro, puxando esse peso 15 vezes, repetindo esse exercício em três séries para cada braço. Acho que se eu fosse numa academia, mui provavelmente o pessoal faria esse mesmo exercício em pé, com as pernas um pouco separadas, talvez... Acho que já vi esse exercício antes...

Acredito que esse era focado nos braços...

Mas achei tão bacana ver as várias possibilidades que podemos fazer com um único equipamento. Só não foi bacana quando fui trabalhar o braço esquerdo e a cadeira não obedecia o freio e saía do lugar constantemente. Mas consegui contornar e logo pude sentir o esforço. De qualquer maneira, cheguei a comentar com o Cristiano que achava que havia mais esforço no braço direito do que no esquerdo. Ele considerou isso normal pois sou destra.

O segundo exercício no mesmo equipamento mas com outra adaptação foi tipo como se eu estivesse remando. Não pode deixar o apoio chegar ao equipamento, tem que ficar puxando até a altura do queixo. Em 3 de 15 novamente.

Depois, foi mudando a forma como segurava essa adaptação, deixando os cotovelos paradinhos, permitindo o movimento apenas do antebraço, subindo e descendo. Também em 3 de 15...

Dá pra notar que não sei como se chamam os termos fitness desses exercícios e enfim, isso é o de menos... kkkkkkkkkkkkkk

Confesso: Parei de sorrir e comecei a chorar exausta! kkkkkkkkkkkkk Já senti tudo dolorido, e procurei manter a postura mais ereta possível, botando barriga pra dentro e tomando cuidado na respiração.

Nesse instante, Cristiano revesava sua atenção com outra paciente do SARAH que estava internada e adaptava o primeiro exercício que fiz para ela que parecia ter perdido a força das mãos. Ela usava um tipo de luva que fazia com que sua mão segurasse a adaptação do equipamento, e com a ajuda do terapeuta, ela conseguia vagarosamente mas com sucesso, 'puxar o peso'. Era perceptível que ela estava num processo de atrofiamento muscular devido ao acidente que deve ter sofrido, mas com certeza, com todo esse trabalho ela vai conseguir superar tudo isso e terá liberdade e independência para segurar objetos e ter sua autonomia.

Se não me engano, esse exercício foi pensando nos ombros. Depois, tive que retirar o braço da cadeira para fazer um exercício que eu precisava manter meu braço, especialmente o meu cotovelo imóvel e puxava o peso ao mesmo tempo que baixava o braço até alcançar na roda da cadeira.

Esse era o exercício para o 'músculo do tchau'. Quando ouvi na primeira vez, olhei com estranhamento e pensei na minha ingenuidade que provavelmente deveria ser uma técnica japonesa que seria inclusa. Logo depois, o terapeuta explicou que o famoso braço flácido que quando damos um tchauzinho, fica aquela coisa balançando parecendo uma gelatina! kkkkkkkkkkkk

E o último exercício, foi esse aqui. Abre e fecha braços puxando um pesinho lá... Na mesma série e repetições iniciais. Esse equipamento eu reconheço em qualquer academia, e é ele onde basta retirar um parafuso para que o banquinho seja desafixado e assim manobrar a cadeira de rodas para colocar em seu lugar.

Só Deus sabe o esforço pra continuar sorrindo, porque era cada careta que eu fazia devido ao esforço. Mas era muito bacana viver esse momento ali. Com várias pessoas brigando para ter um melhor condicionamento físico e liberdade.

Percebi que era a única que não usava trajes de internação no ginásio mas fiquei tranquila porque conheço grande maioria dos terapeutas e todos estavam mega ocupados incentivando e orientando os pacientes a não perder a fé de voltar a andar.

Lembro de já ter visto pessoas que tiveram AVC, traumatismo e paraplegia no SARAH onde muitos consideravam que um determinado paciente ficaria cadeirante por tempo indeterminado. Porém, fazendo todo esse tratamento e acompanhamento, a pessoa consegue inclusive voltar a levar uma vida relativamente normal. Até voltar a andar, falar, pegar objetos e a lembrar de sua vida como era antes.

Pode ficar algumas sequelas, mas voltar ao que era antes? Quem não gostaria? Só que infelizmente não é todo mundo por acomodação. Porque infelizmente nós temos a mania de desejar que as coisas aconteçam logo. que o resultado seja imediato. E não é bem assim. Tem que ter persistência e esforço mesmo. E não desistir. Eu sei que para dar certo esses exercícios, eu preciso fazer uma belíssima reeducação alimentar.

Se meu terapeuta souber que os exercícios feitos hoje terminaram assim:


Ah gente, mas me dá um desconto vai? Não é sempre que faço isso. kkkkkkkkkkkkkkkkkk Nossa, escutei daqui, vocês aí dizendo: "Olha a louca?! Vai fazer academia e depois come isso!" Depois de ter "almoçado" essa McOferta, fui pro trabalho e não consegui comer mais nada. Fiquei mega cheia e o arrependimento foi imediato.

Chegando tarde em casa, ainda assim, não quis jantar de jeito nenhum. Tomei apenas um vinho e depois água. Só pra agilizar no sono mesmo... E agora estou bocejando mais do que digito. Mas queria muito compartilhar com vocês esse novo momento.

Diz a lenda que no dia seguinte pós exercício, eu estarei toda dolorida... Bom se assim for, já estarei acamada de qualquer maneira. Felizmente agora vou curtir minha folga tanto no trabalho quanto na faculdade, logo, estarei morgando, estirada na cama por tempo indeterminado... Ou até quinta-feira. ^_^

Bom, hoje, dia 02 de novembro é feriado... Dia de relembrar momentos daqueles que nunca esqueceremos. Tantas pessoas queridas que se foram, que já vai pra mais de uma década e a sensação é de que a pessoa tivesse partido nesse instante. Pessoas que eram meu apoio, que eu sabia que podia contar... Muitas saudades.

Fiquem com Deus! Xêro no ôi.