quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Acordando sobre rejeição

Oi pessoas,

 
Queria conversar com vocês uma coisa mega interessante que me aconteceu recentemente. É sabido por meio mundo que estou em tratamento para depressão, certo? Pois é... Tô numa briga para encontrar um profissional para me acompanhar e ajudar na medicação visto que atualmente é o SARAH quem está prescrevendo meus remédios.

Essa briga é simplesmente por ter preconceito mesmo com a profissão. É foda... O pensamento de pagar para outro me ouvir. De dar pitaco na minha vida sendo que tenho inúmeras pessoas que fazem isso, de graça e sem nem mesmo eu pedir... Preciso realmente trabalhar essas minhas neuras por isso.

 
Eu particularmente acho que essas situações são tão previsíveis, sabe? A gente sabe que as coisas ruins estão acontecendo por consequência à nossa impulsividade. Cada ação tem sua reação. Dizem que eu tenho o temperamento difícil... E eu já acho que não sou tão complicada assim. Só não tenho muita tolerância com gente me fazendo de besta. Que quando meu limite extrapola aí é de lascar. Mas eu realmente ando me policiando muito para não ter crises por causa de rancor, mágoa por safadezas feitas comigo no passado. Tento deixar pra lá, sabe? 

É um trabalho extremamente cansativo conosco porque devemos seguir em frente, viver nossas vidas, já que quem fez o mal, continua de boa, vivendo sua vida e pouco se lixando para o sofrimento que nos causou. Mas a gente insiste. Doi, machuca lembrar. Saber que fez tanto e como retorno levou uma senhora puxada de tapete... Injustiça é definitivamente um troço que me faz muito mal.

Tive um problema então, além do psicológico e desnecessário mencionar maiores detalhes e precisei buscar ajuda médica. E a melhor parte é que o médico é também um amigo muito antigo. E ele me conhece e me acompanha desde o tempo que eu surtava por Backstreet Boys... Vamos dar aí uns 20 anos de amizade... E o legal é que depois do atendimento médico, ele dedicou mais de uma hora apenas para conversar comigo. E ele teve todo cuidado do mundo para dizer as palavras certas e me acordar.

Talvez, o atendimento que ele me deu foi melhor que qualquer terapeuta que eu necessitasse. Ele me ouviu mas ouviu pouco porque ele já me conhece muito. E me fez a seguinte pergunta:

"Até quando você vai continuar sendo vítima do mundo?"

 
E quando ele explicou esse questionamento, exatamente por ter esse cuidado de não querer me magoar e sim me ajudar, ele disse que me sentir vítima, não é no estilo coitadinha, mas no modo de aceitar que as pessoas me tenham nas mãos delas... De ser vítima das atitudes dos outros sempre. De me magoar, ficar rancorosa e revoltada por isso.

Eu fiquei sem saber o que responder. Porque é algo que estou presa realmente. Me incomodo e explodo realmente se pisarem no meu calo. E ele disse isso. Exatamente isso. "Eu sei como te desestruturar, mas não o faço, porque não preciso. Mas você deixa as pessoas te terem nas mãos delas. E você deve viver sua vida e parar de permitir isso."

 E agora estou envergonhada por reconhecer...

Foi indescritível ouvir tudo aquilo que ele me disse em relação a todas as correntes que me prendiam até então. Lembrei de cada pessoa que me magoou, me ofendeu, me humilhou, me rebaixou e me rejeitou. E ele destacou especialmente esse ponto: rejeição. Como lidar com isso? Eu ainda não sei, sinceramente. Mas é algo que eu sei que eu preciso saber conviver. Porque sempre haverão pessoas me rejeitando sempre. Seja por conseguir o que queriam de mim e depois me descartam ou o imediato por simplesmente rejeitar pessoas com deficiência.

 
Fiquei realmente surpresa por tudo o que ele disse, de tentar me fazer enxergar que não posso deixar que isso controle meu futuro. A rejeição faz parte da minha vida. Tentar evitá-la, ou mergulhar nela só vai me deixar infeliz. O negócio é encarar de frente, respirar fundo, cortar o mal pela raiz e seguir minha vida.

É necessário aceitar que as coisas nem sempre funcionam do jeito que nós queremos e que não tem problema nisso! Só porque uma coisa não funcionou, não significa que somos um fracasso, ou que nada jamais irá funcionar. Cada caso é um caso. Se a gente começar a acreditar que sempre sofrerá a rejeição, então nós iremos mesmo! Porque sempre abriremos caminho para o fracasso. Mergulhar nas rejeições passadas vai fazer com que você fique preso ao passado e não aproveite o presente.

 
E isso, definitivamente é algo que estou presa e faz tempo. O tempo está passando e eu continuo achando que estou no ano tal. Que foi um dia desses que fulano falava comigo, que eu estava fazendo isso ou aquilo por cicrano...

Em um relacionamento, seja lá qual tipo for, não há nada que você possa fazer para mudar a opinião da pessoa que nos rejeitou, então a lição aqui é como lidar adequadamente com esse desinteresse e como se manter positivo sobre o potencial de uma nova história na nossa vida. É fácil falar, mas tem que chegar um momento como esse para nos fazer acordar e perceber o quanto perdemos nosso tempo.

 
As pessoas nem sempre te dão um retorno sobre a rejeição. A vida é assim - às vezes elas estão ocupadas demais, outras vezes elas não sabem como explicar a rejeição de maneira que não pareça muito crítica, ou pessoal. E às vezes, elas realmente não se importam. Mais uma vez, o importante é tentar não levar a sério por muito tempo - a gente ainda vai encontrar outra pessoa em quem possamos confiar e que tenha tempo de ouvir o que aconteceu com você, para tentar ver se é possível melhorar alguma coisa.

Pois é... Tô impressionada até agora por isso e vou continuar pensando e tentando encontrar uma maneira de resolver isso. Apesar de reconhecer que realmente necessito de ajuda profissional. Vou criar vergonha na cara e fazer esse tratamento que preste.