segunda-feira, 10 de abril de 2017

O que você quer ser quando você crescer?

Caramba...

Dia desses eu fiz um teste vocacional recente. Esse então foi meu 7º teste. É engraçado como esses testes podem te dar um norte para que decisão tomar para sua vida. O que fazer? Com o que trabalhar? E o mais importante: O que é que a gente quer fazer para o resto de nossas vidas, ganhando dinheiro com isso e sendo motivado diariamente, sendo feliz pela escolha que fizemos...

Não é fácil. E pior ainda é quando permitimos que os outros escolham por nós. Que decidam uma vida que seremos nós a viver para o resto da nossa vida. (Ficou redundante, mas paciência) -- Antes de você ouvir os benditos: "Você devia fazer isso -- Você deve trabalhar com seu pai -- Você tem cara para tal função", é interessante VOCÊ procurar realizar esse teste vocacional e ser honesto consigo mesmo. Responder sinceramente o teste e ver o que você realmente pode se identificar.

Na internet, você encontra milhares disponíveis e não leva nem 5 minutos de realização. Então, TODOS os testes que fiz, sempre davam para Direito, Publicidade, Psicologia, Pedagogia... Nunca! JAMAIS para Ciências Contábeis... Mas me formei em 2008 depois de sofrer para finalizar algo que eu não me identificava.

Meu pai fez a escolha profissional dele e sugeriu que nós seguíssemos seu caminho. Empresa familiar. Algo que não dependeríamos de outros para sobreviver. Bom... Somos quatro filhos. Eu fui a primeira a realmente ir pra faculdade, então, para alegrá-lo, optei por algo que eu não me identificava. Mas por ele, que tanto fez por mim, valia a pena. Acreditei que meus irmãos seguiriam outros caminhos. Doce ilusão... Família inteira formada na contabilidade. Eu decididamente virei a do contra... Já minha mãe é pedagoga, foi professora estadual até se aposentar.

Enquanto criança, eu lembro a rotina que a mamãe tinha. Eu gostava do "poder" que ela tinha de dar notas aos alunos e disso depender se eles iam passar de ano ou não. Eu adorava ajudar nas correções, ficava lembrando do rosto de cada aluno que eu vi que tinha conversado durante a aula dela (ou não) e minha nota influenciava nisso, tal como ela às vezes fazia. Ela sabia quando a pessoa havia colado nas provas. Eu achava isso incrível.

Mas confesso que nunca me imaginei numa sala de aula. Eu, Izabele?Professora? Como assim? Eu tenho essas limitações físicas que por si só já dão o que falar. Imagina eu abrindo a boca? Logo eu que sou dita como temperamental e não deixo de demonstrar se algo me desagrada! E se eu fizer merda? E se as pessoas não me respeitarem? E se eu sofrer exatamente o que eu sofri enquanto fui aluna durante toda a infância e adolescência? Hoje, chamam isso de bulying... Eu chamo de trauma mesmo... Eram alunos e professores que me constrangiam diariamente.

Mas daí que em 2015, meu esposo estava cansado de me ver tão pra baixo e depressiva. Achou que era hora de recomeçar. De buscar algo que eu realmente gostasse. E eu juro que eu procurei algo relacionado à Ciências Contábeis, como Gestão de Recursos Humanos ou algo empresarial, qualquer coisa que me fizesse trabalhar com o desenvolvimento de alguém. Acho interessante essa ideia de ajudar no crescimento da pessoa. Dela chegar e saber que vai sair dali com o problema resolvido.

Buscamos o Educa Mais Brasil, e eles indicaram vários cursos e instituições de ensino. Eu queria fazer em EaD, quanto mais ficasse em casa, melhor. E (in)felizmente, escolhi uma instituição que o curso seria EaD referente a Recursos Humanos mas parecia aquelas instituições de fundo de quintal. Me irritei com o atendimento que recebi e entendi que se já estava tendo dor de cabeça na matrícula, imagina o restante do curso? Desisti da instituição e busquei novamente o Educa Mais Brasil. Eles então me indicaram a Estácio de Sá. O curso então seria Letras - Inglês. Eu lembro da minha reação de encantamento quando meu esposo disse: "Faz esse, você gosta tanto de inglês que eu sei que você vai se divertir. Mais legal ainda é que você pode trabalhar com tradução, em casa!"

E graças à essas palavras então, motivada psicologicamente e financeiramente por meu esposo, que meu caso de amor com a Estácio começou. Caí de paraquedas bem no meio de um semestre e eles foram super gente boa me ajudando a não perder tudo. Hoje, estou indo para o penúltimo semestre e caramba... Tô sem palavras para tudo o que já vivi. Dá pra acreditar que eu já entrei em sala de aula e fiquei na frente dos alunos? Impus respeito, mas deixei o clima light e descontraído e eles gostaram da minha aula e tudo?! A sensação é indescritível. 

Estou indo pra segunda etapa do estágio... A primeira foi com alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Neste semestre, trabalharei com o ensino médio e o último, será com Educação de Jovens e Adultos - EJA. E as experiências são muito marcantes porque não são apenas os alunos que saem da sala de aula com uma bagagem de conhecimento. A gente também. Eu gosto da ideia de fazer a diferença na vida de alguém, de instigar, de fazer com que ela perceba que a vida dela é mais fácil e pode/tem tudo para ser melhor que a minha. 



E acabei de receber meu "boletim" desse semestre. Ver a nota máxima no estágio é realmente a certeza de que para determinadas coisas da vida, é necessário abrir mão de algo para que possamos nos dedicar exclusivamente. E essa renúncia valeu a pena mesmo! E é muito bacana perceber e reconhecer que as pessoas estão vendo que eu não tenho medo de começar do zero. Fazer tudo de novo. O que não vale é fazer algo que você não se identifica e se transformar numa pessoa dependente e frustrada. 

Não tem coisa pior do que acordar cedo e dizer: "Droga, mais um dia! Que saco!" -- Eu felizmente não sei mais o que é isso. É incrível me perceber planejando aula, inovando coisas e surpreendendo a turma. É muito gratificante ouvir outros professores perguntarem como é minha aula para que os alunos peçam ao determinado professor para tentar fazer igual ao que eu faço. É claro que a minha proposta é diferente de professores de exatas... Mas a pessoa verdadeiramente gostando do que faz, ela consegue inovar. Eu acho que o segredo é esse. Ter a didática e a segurança no que vai passar.

Se eu me imaginava dando aula de inglês numa escola? Não. Nunca. Mesmo! Mas aconteceu, eu estou vivendo esses primeiros momentos, tenho minha mãe como maior inspiração e meu esposo como exemplo do que é a educação atualmente. E eu faço o meu melhor para ver aqueles rostos satisfeitos porque o dia da aula de inglês chegou!

Então, busca no Google um teste vocacional e faz o que você gostaria mesmo. Não se incomode com o que vão dizer. Se é isso o que você quer, se é o que você mais se identifica. Mete a cara à tapa e faz. É você quem vai lidar com essa decisão o resto da vida! 

Tenho mais de 15 anos de experiência profissional em contabilidade e administração. Depois dos 35 anos é que estou fazendo algo que realmente gosto. Não queira fazer isso na sua vida. Não queira fazer algo apenas porque dá dinheiro. Vale muito mais ter uma melhor qualidade de vida fazendo o que gosta, e isso consequentemente vai conquistar mercado.

Minha intenção é verdadeiramente o que meu esposo sugeriu. Eu quero trabalhar em casa. A ideia de home office para mim sempre foi interessante. Seja como tradutora, tutora online mas também não tenho mais o medo de antes sobre lecionar pessoalmente em sala de aula. Conhecer gente nova sempre. Passar algo e aprender algo novo. Isso é o que move a gente. É o que vale a pena para mim. Ah, e sobre a academia, eu continuo me exercitando, mas agora bem mais light. Já perdi 4 quilos de fevereiro para cá. A ideia é perder 20... Não vou bitolar para atropelar as coisas e acabar desistindo de tudo... Devagar e sempre.

Agora que estou começando a ter a visão do que pode ser meu futuro. Eu pretendo encabeçar um mestrado. Infelizmente preciso de pós, ao que parece mas já tenho iniciado meu projeto de mestrado. E vou até conseguir obter o título de doutora. Será minha homenagem agora à minha mãe. Que sem querer, me inspirou a gostar de fazer isso: de fazer parte do desenvolvimento de alguém.

Não esmoreça e nem deixe que tomem decisões por você. É a sua vida! Viva intensamente.