sábado, 15 de abril de 2017

Respira, tenta de novo... Conversa comigo?

Oi pessoas, 

Como está sendo seu feriado de Páscoa? Está sabendo viver o momento? Está descansando, viajando ou curtindo com a família e amigos? Está vivendo plenamente?

Estou tentando não deixar a situação complicada na minha vida. Estou tentando respirar fundo e viver cada dia, devagar... Absorvendo o que os momentos estão me proporcionando, até porque são coisas que estou experimentando pela primeira vez.

É estranho, sabe? Eu fico nervosa quando chega a hora de dormir porque todas as noites eu ando sonhando com as pessoas que causaram mal na minha alma. Que me magoaram tanto, que é quase impossível esquecer. Eu sei que elas seguiram suas vidas, mas eu me policio muito para não permitir que minha vida pause novamente. Já perdi tanto tempo...

Então, do nada, um amigo querido me mandou esse vídeo abaixo. Quando o assisti pela primeira vez eu adorei o tom da voz da doutora Ana Claudia, foi como se ela estivesse conversando realmente com a gente. Ela é médica e lida com a morte todos os dias. E ela sabe melhor do que ninguém as consequências que podemos sofrer por não aproveitar o momento que temos ainda de vida. Ela vê pessoas dando seu último suspiro com o olhar vago de quem reconhece que acabou de perder a chance de viver e que não tem como voltar atrás...

Às vezes, eu me zango muito com determinadas puxadas de tapete que a vida me dá, mas sabe... Acho que isso faz parte e nós temos que aceitar e tentar fazer o nosso melhor para superar. E isso é complicado para quem tá acostumado a sempre conseguir as coisas do seu jeito, né? 

Bom, esse amigo conversou comigo uma vez e ele me aconselhou em tantas coisas que eu sinceramente achei que minha cabeça iria explodir, mas imediatamente, ao sair de lá, eu fui fazer a coisa certa. E não me arrependo disso. Estamos em constante aprendizagem e é necessário saber ceder e renunciar determinadas coisas para sermos felizes.

Veja o vídeo:


Mas faz isso, escreve os 5 maiores problemas ou situações que te aborreceram muito. Então, pensa o que você faria se amanhã fosse o dia final... Depois, olha de novo pra essa lista que te pertubava... Eles continuam do mesmo jeito?

Hoje finalizei a minha maratona de 13 Reasons Why, e vi tanta coisa que sofri enquanto adolescente. Eu realmente fui muito inocente e talvez até ainda seja, mas eu reconhecia que estava sendo destratada enquanto estudava. Pessoa com deficiência numa escola onde praticamente só há você lá dessa maneira, é uma visão meio bizarra porque as pessoas olham pra você como se você fosse quebrar a qualquer momento. Então elas não interagem realmente, elas falam conosco como se fossemos incapazes de entender o que nos acontece e depois seguem suas vidas sem sequer se importar se foi o certo ou não.

Enquanto aluna de um colégio particular, eu gostei de dois caras. O primeiro era educado mas nunca conversou nada comigo. Mas ele sabia que eu gostava dele. As pessoas naquela época eram mais discretas do que são hoje, mas já me pararam na saída da escola pra pedir informação e eu inocentemente achando que era uma informação qualquer, que estava ali sendo questionada como qualquer outra pessoa, fui indagada se era eu que tava a fim do Angelo do 1º ano.

Quando eu lembro do jeito do grupo de meninas que me perguntaram isso, eu juro que num primeiro momento eu achei que elas iam conversar algo, dizer qualquer coisa... Mas sabe o que elas fizeram? Elas desviaram o olhar e disseram: Num disse que é essa aleijada aí? e me ignoraram como se eu nem estivesse lá. Eu nunca tive coragem de contar isso pra ninguém e fiquei muito constrangida. Foi um dos primeiros choques que tive por preconceito.

Mas daí que a vida me mostrou o Marcio. E ele foi pior porque os amigos dele cresceram comigo. Um dia, foram também meus amigos. E deixaram de ser e foram terríveis. Tão terríveis que foi exatamente o que chamamos hoje de bulying. Foram insultos, deboches, ameaças... E sabe o que deu nisso? Nada. Eu lembro da coordenadora vir na sala de aula falar comigo e ela perguntar como eu estava. Quando eu respondi que estava bem, ela simplesmente veio falando mil e uma coisas que eu presumi que eram armações desses ditos amigos para me prejudicar. Eles se fizeram de inocentes e eu fui a doida da história.

E não parou por aí. Professores debochavam de mim pelas minhas limitações, davam piada dizendo que teriam de terminar a aula mais cedo porque determinadas pessoas ali não iam conseguir acompanhar e olhavam diretamente pra mim. E eu ria junto com todo mundo mas envergonhada...

Eu sempre tive muito cuidado com as pessoas que achei que mereciam minha amizade. Porque infelizmente grandiosa maioria sempre fazia merda... Ou será que era eu quem fazia? Eu acho que a culpa nunca pode ser de uma única pessoa. Sempre é das duas. Só que antes não era assim que eu pensava. E me zangava muito com isso. Me magoava demais pensando como a vida poderia ser tão injusta a ponto de perceber que as pessoas simplesmente nos descartam e fica por isso mesmo. A gente tem que seguir e pronto. Não. Não é pra ser assim. O certo é botar pra fora. Desabafar.

E às vezes, eu me orgulho em bater no peito e dizer: Eu tive coragem pra isso. Eu enfrentei de frente meu problema falando diretamente com quem me fez mal. -- O foda apenas é a reação que tenho de aceitar. A indiferença. Não importa se me fez mal ou não. Não importa se eu sinto algo ou não. Simplesmente não me interessa saber nada de você. -- Esse choque foi o mais recente e causador então das minhas constantes crises de depressão.

Esse amigo que me mandou esse vídeo, ele fez mais. E espero que ele não se chateie por isso mas nada melhor do que ouvir esse conselho do que eu tentar dizer com minhas palavras, não é? Então eu acho que o meu destino só não foi pior, porque felizmente eu tive esses sacodes... Não é a primeira vez que esse amigo me dá esse sacode para amadurecer não... Não é a primeira vez que ele me salva da beirada do precipício... Essas pessoas que não estão tão próximas mas nos conhece tão bem, não passam a mão na nossa cabeça porém nos estende a mão e nos aconselham por querer nos ver bem.

Sempre tem alguém assim que podemos contar. Às vezes, por estarmos tão mal, a gente acaba ficando meio zonza e não enxerga quem tá bem ali por nós. A gente quer tanto que aquele que não nos dá atenção, nos perceba que ficamos cegos ao restante do mundo.

Não ligue pras imagens, elas foram pegues da internet, o que vale são as palavras. Elas são o conteúdo principal do vídeo.


Que sorte grande eu tive de encontrar um amigo assim, né? E eu reconheço que Deus me concedeu mais pessoas para contar nos bons e maus momentos. O que temos de fazer apenas é realmente sermos seletivos e entender de uma vez por todas que nossa vida não precisa de platéia, precisamos é voltar ao tempo em que as conversas eram pessoalmente, olho no olho... Mensagens de texto são frias e não expressam sentimento. E podem ser interpretadas de n formas. Eu bem sei disso...

Bom, o que tenho percebido então, é que com a oportunidade desse seriado da Netflix, a gente consegue identificar um problema mais facilmente, seja em alguém ou nós mesmos. E estar apto de fazer algo a respeito e evitar o pior. E a melhor coisa pra isso é conversar. Saber ouvir. E principalmente, estar lá.

E eu sei que não é fácil. Uma coisa é dizer e a outra é acontecer. Mas se dermos um passo, já saímos do lugar, né? Respira fundo e tenta de novo. Conversa com alguém. O mais bacana é quando encontramos alguém que aceita nos ouvir. E escuta tudo, sem julgamentos, censuras ou críticas. E essa pessoa que não diz nada, ela diz tudo. Porque ela nos faz nos ouvir e perceber que talvez, a situação não é bem assim ou que o pior já passou.

Como diz meu salmo: A tempestade dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã.