domingo, 11 de junho de 2017

Se a vida te der essa chance: RECOMECE!

 
É galera... Essas coisas da vida são realmente únicas... A gente normalmente nunca acredita que o raio possa cair duas vezes no mesmo local, mas acontece. Sou testemunha disso e falo com propriedade agora. 

A parte mais engraçada disso é que não tenho coragem de comentar com ninguém e por isso prefiro escancarar online pra quem quiser ler... Vai me entender?

Você quer recomeçar?
Em 2010, meu mundo desabou... Me senti inferiorizada, incapaz, inútil. E não foi pela deficiência. Foi por competência, sabe? Estava numa empresa há 4 anos e entrei lá por indicação. E sempre serei muito grata por essa pessoa. Mas caí de paraquedas nesse trabalho, na verdade... Não tinha experiência na área, não tive treinamento para exercer a função e sofri bulying pela minha deficiência que ao que lembro, viam como preenchimento de cota ou incapacidade mental.

 
Lembro do tratamento que as pessoas tinham comigo e minha inocência com elas. Lembro que levava tanta piada, tanto assédio moral, mas tudo o que eu fazia era ficar calada, sem me defender em nada. Deixava acontecer. Me zangava, demonstrava quão injustas as pessoas estavam sendo comigo mas não sabia me portar e me defender das acusações que sofria. Mas em nenhum momento chegaram com feedback pra mim, em nenhum momento me orientaram em nada, simplesmente eu ficava de banda em tudo...

 
Lembro que as pessoas me olhavam como o exemplo da derrota, como mais um exemplo de pessoa com deficiência acomodada, que queria tudo nas mãos e queria ter razão em tudo. Pior sensação da vida! Me causou depressão por isso... 

Eu era excluída dos eventos, das reuniões, ficava sabendo das novas rotinas pelos colegas que sempre me corrigiam exatamente por eu ainda não ter tido ciência das mudanças... Sujaram minha carteira com a demissão e isso foi algo muito difícil de superar porque fui realmente injustiçada.

 
Passei sete anos da minha vida me avaliando, tentando melhorar meu temperamento e me qualificando. Raríssimas pessoas dessa época ainda possuem contato comigo, e agora, quando menos esperei, a oportunidade de voltar à mesma instituição por indicação de quem me conheceu por lá é algo que eu realmente não tenho em palavras para saber agradecer devidamente por esse voto de confiança, ao mesmo tempo que estou apreensiva se talvez reencontrar todas essas pessoas que me destrataram no passado e elas continuem me encarando da mesma maneira... Quem sabe, talvez isso aconteça (ou não). 

 
E eu tô aqui, me preparando psicologicamente para enfrentar tudo isso. De provar que eu amadureci, de tentar me blindar para não rejeitar automaticamente quem vir falar comigo. Isso é realmente algo muito difícil de fazer. Mas eu tenho que fazer...Não posso demonstrar nem por um segundo a sensação de vitimismo.

Nessa nova oportunidade, eu quero acreditar que não foi pela indicação de tentar a vaga, que me oportunizou o emprego. Quero acreditar que meu currículo e minha qualificação tiveram maior peso e estou muito feliz por ter conseguido essa nova chance, me senti verdadeiramente renascendo... De ter passado sete anos vivendo coisas difíceis e escuras e agora um novo colorido resnasça e farei o meu melhor para que nunca mais minha família passe o que já passamos.

Não tenha medo de recomeçar.
Isso é uma nova chance de reconstruir o que você quer.
Fala sério? Quem não gostaria de uma chance dessas? Eu nem imaginava mas quando contei aos meus pais, eles ficaram tão emocionados por essa novidade, porque segundo eles, ali era o meu lugar. Não sei ainda se era/é realmente, mas gosto muito daquele ambiente. Foi realmente uma festa quando meu esposo, meus filhos, minha família em geral souberam dessa conquista.

A sensação de me sentir renovada, de ter um novo recomeço agora é palatável. E eu preciso acreditar na minha capacidade novamente. Preciso policiar minha insegurança. Preciso ser humilde o suficiente para aprender ainda mais e passar o que sei, coisa que me orgulho muito em fazer. Mas às vezes, acaba soando arrogante. Eu me conheço tão bem, que sou capaz de ter toda propriedade do mundo para me censurar porque sou muito consciente dos meus atos. E é isso que estou fazendo comigo mesmo agora. Esse exame de consciência. De necessidade de controlar meus impulsos e temperamento. De ser educada e cordial com quem quer que seja. Independentemente do que me fizeram. Entregar nas mãos de Deus e não me envolver com ninguém.

Hoje, eu sei como a Izabele deve ser profissionalmente, e o quanto ela precisa diferir da Izabele como pessoa... Uma coisa que me disseram e ficou pra sempre foi o ensinamento de que NINGUÉM NUM AMBIENTE DE TRABALHO É SEU AMIGO, SÃO TODOS COLEGAS E CONCORRENTES. 

O que eu preciso é esquecer o que o passado me feriu e buscar evitar que meu trauma passado não se estampe em meu rosto quando eu encarar essas pessoas novamente. Tentar ser forte o suficiente para perdoar e ignorar as caras que aparecerem na minha frente...

E que o que estiver por vir, seja ainda melhor e mais gratificante do que pretendo que seja. Então, aí vou eu! Mais amadurecida, mais humilde, mais experiente, mais qualificada, mais capacitada e mais guerreira!

E que tudo o que estiver por vir, seja também como amadurecimento e crescimento pessoal e profissional, pois por mais que eu considere tudo isso que me aconteceu como algo terrível, não deixou de ser um grandioso aprendizado. Mostrou quem foi além do coleguismo. 

E também, meus planos agora são outros. Esse emprego é dos sonhos, é verdade... Mas não é mais algo que eu via como prioridade na minha vida. Minha prioridade sempre será meus filhos, minha família. A comida na mesa, a despensa cheia, as contas pagas, meus filhos com saúde e sem nada essencial a faltar. Eu sempre valorizei isso e graças a Deus, Ele me ouviu.

Com licença... Hora de apertar esse botão!