terça-feira, 25 de julho de 2017

E o meu medo se tornou real sobre o Linkin Park

Oi pessoas,

Me considero uma pessoa eclética, sabe? Que tolera grande maioria das músicas... Contanto que não seja zoada e palavras de baixo calão... Apesar de que eu particularmente tenho a boca muito suja nesse sentido, digo mesmo! Mas são pouquíssimos os gêneros musicais que você não me pega ouvindo de jeito nenhum. Exemplo: Funk, forró "atual" ou qualquer "música" que incite a traição, o desrespeito com o outro ou a superficialidade das relações humanas.

Anteriormente, eu não escutava músicas de rock que possam ser consideradas zoadentas, não por suas letras mas pela sonoridade mesmo. Então, lá pelas quebradas de 2000, meu irmão me aparece com um CD chamado Hibrid Theory. E o CD inteiro era zoadento... Eu considerei rock pesado e confesso que não conseguia ouvir. Mas aí, uma vez, meu irmão viajou e deixou o CD no meu discman é o novo e eu estava aborrecida com algo que não lembro bem o que era agora mas escutei a primeira música: Papercut.

Imediatamente me vi ouvindo aquelas vozes que se misturavam em hip-hop, rap e rock que ia do normal ao berro, que ia meio sensualizando ternamente e do nada berrava o refrão. Esqueci até a zanga e escutei o resto do CD naquele dia mesmo!

É como muitos dizem: Ia da voz de anjo para a gravidade endemoniada e que mesmo assim, eram "gritos" agradáveis de ouvir. Eu particularmente amava os berros que o Chester dava porque meio que ele berrava por mim o que eu queria botar pra fora, então, eu respirava fundo e suspirava aliviada quando chegava nos refrãos... Me sentia representada.

Daí que virei fã mesmo, e reconheci o sucesso do Linkin Park desde os tempos de fã dinossaura, e com muito orgulho. E achava incrível tanto pelas letras quanto pelo som. Era libertador.

O tempo passou, sempre que possível eu acompanhava, colocava meu MP3 pra tocar as melhores que considerava deles (muitas, diga-se de passagem) e meu pendrive continua com várias músicas deles lá e vi que muitos artistas iam se deteriorando de alguma forma. Vi bandas/cantores se desfazendo por drogas, por ganância e temia muito quando pensava "...E se isso acontecesse ao Linkin Park?" É claro que não sou tão inocente para achar que eles não consumiam drogas ou algo do gênero, cada um com sua vida e seus problemas, não dá pra julgar porque não me cabe mas eu ficava tensa quando pensava nisso...

Houve até uma separação deles por projetos paralelos no passado mas depois voltaram a fazer o bom e velho som conhecido. E continuei acompanhando sempre que possível. Mas esse ano de 2017, me surpreendi com a notícia do Chris Cornell, que para mim era conhecido como cantor da banda Audioslave. Like a Stone era minha preferida. Vi que Chester havia feito uma homenagem ao Chris e no enterro do amigo cantou Hallelujah e isso me deixou impactada e emocionada.

Veio o pensamento: "Meu Deus, imagina uma dessas ao Linkin Park" -- Dois meses se passaram e o pior aconteceu. 

Depressão é coisa séria. Não é frescura. Não é coisa da nossa cabeça, não é falta de Deus.

Aconteceu com o ator Robin Williams e foi chocante também... Muitos imediatamente criticam dizendo que Chester era um dependente químico e etc... Eu fiquei com ódio da chamada que a Globosta deu pra noticiar a morte dele: parecia chamá-lo de drogado, vagabundo... E não foi isso. Foi por depressão. Por não suportar as dores que estava passando e guardando para si. Por não colocar pra fora porque todos acham besteira, frescura, falta do que fazer...

Uma pessoa depressiva já está abalada emocionalmente e aje por impulso. Pensa apenas em sanar aquela dor, acabar com aquele sofrimento. A banda tinha praticamente acabado de divulgar um vídeo novo no YouTube e ditos fãs detonaram a banda. Teve gente que mandou eles se matarem porque não prestavam mais. Eu fui lá assistir ao vídeo e não vi nada de sonoridade tão diferente do que eles fazem. Vi até um vídeo do Chester em parceria de uma moça cantando uma música chamada Heavy e também não achei o fim do mundo. Foi algo diferente? Foi! Mas a vida é assim mesmo. É sempre bom mostrar que podemos fazer algo diferente...

E agora? Com tantos comentários estúpidos de pessoas que desrespeitam os sentimentos alheios, que a procura de likes para se sentirem superiores ofendem e magoam, aqueles que verdadeiramente se importavam é que pagam o preço alto dessa perda. Parentes, esposa, filhos...

Enquanto continuarem pensando que depressão é frescura, infelizmente pessoas incríveis continuarão partindo, simplesmente porque não suportam a dor que estão vivendo.

Eu ainda não tô conseguindo acreditar... Eu tô obedecendo a psiquiatra e colocando pra fora essa dor que o suicídio dele me causou mas tá barra... Ele não foi fraco, eu não estou me sentindo mais forte do que ele. Eu apenas entendo o que o motivou.

Eu? Eu estou vivendo um dia de cada vez, encarando e aceitando as escolhas que eu fiz.




Descanse em paz, Chester. Sua voz vai fazer muita falta mesmo!