terça-feira, 21 de junho de 2016

Não preciso de babá

Sofri? Muito!

Se você pudesse ver minhas crises internas, tentando levar as coisas da melhor maneira, sem me apegar, você perceberia que eu tentei...

Infelizmente toda rejeição da minha infância e adolescência vieram com força total me despedaçando numa depressão assustadora por quase um ano, que não desejo pra ninguém.

Me senti descartável, me senti sendo assistida em meu próprio afogamento, pedindo socorro e sendo apenas observada de vez em quando, no meu debater desesperado por tentar ser aceita.

Eu não precisava de babá.

Eu precisava de alguém que eu confiasse o suficiente para considerar amiga.

Deus sabe quão ridicularizada eu fui aos olhos de alguns e mui provavelmente ainda sou, até mesmo por expor essa fraqueza.

É de lascar reconhecer que tive problemas seríssimos de saúde que poderiam acabar com minha vida e sobrevivi, sou a mulher mais sortuda que conheço por ter quem eu amo ao meu lado, dois filhos e um cachorro...

Mas já quis me matar inúmeras vezes por me considerar um fardo, uma doente que não conseguia fazer amigos porque todos que se aproximavam, vinham por pena ou interesse. Assim que tinham a oportunidade de me conhecer melhor, me iludiam e me abandonavam...

Fui muito censurada, criticada, humilhada por apenas querer uma amizade verdadeira. Por apenas desejar ter com quem conversar, obter uma nova perspectiva das coisas, da mesma forma que costumo fazer por muitos...

Eu estava numa via de mão única. De novo. Mas não era só isso... Sofri um tipo de tortura psicológica, fiquei escrava e virei mendiga por míseros minutos de atenção...

Agora eu consigo desabafar e jogar esse mal pra bem longe de mim porque felizmente eu vi que não valia a pena. Porque chega um momento que a gente se acha tão imperfeito aos olhos dos outros, que não conseguimos ver a resposta embaixo do nosso nariz.

Me fizeram de trouxa inúmeras vezes mas agora, com a cabeça no lugar, eu vejo quão pobres e infelizes são esses sanguessugas... Querem tanto ser perfeitos, melhor que todos, arrogância e orgulho de nariz empinado, olhando-nos com repulsa e indiferença mas são vazias de sentimento, precisam ter certeza que são admirados, coitados...

Para uma pessoa com deficiência que sofreu com super proteção a vida inteira, tentar ser aceita e descobrir no final que todos tinham razão, inclusive meu inconsciente que martelava isso toda noite, é definitivamente uma lição que me marcou pra sempre.

Com uma pessoa X, eu tenho até hoje seus cartões e cartinhas... De vez em quando as leio só pra perceber como eu era vista aos olhos dessa pessoa... Com a Y, eu tenho postagens, carta e históricos que às vezes me pego lendo e também percebendo a forma como era tratada.

Como criança, como uma pessoa realmente doente e fraca mentalmente...

Mas a errada da história, fui eu mesmo. Que investi meu tempo, minha dedicação, carinho e amizade por uma personalidade que eu já conhecia.

Hoje, eu sinto muito por mim... Pelo menos sou autêntica nos meus atos. Quem me conhece sabe bem...

Agora... pessoas que cruzaram meu caminho e desperdiçaram meu precioso tempo, minha vida... Sinto muito por vocês. De verdade.