domingo, 24 de julho de 2016

Não me considero velha. Mas estou.

- Senhora, o seu cachorro não está te acompanhando mais. - disse garotinho de aproximadamente 6 anos, preocupado porque eu já ia a uma certa distância com minha cadeira de rodas, deixando meu amigo pra trás.

Em resposta ao seu comentário, eu apenas sorri e continuei pela passarela estreita, atenta para não cair como ocorreu no ano passado... Segundos depois, ainda o escutei dizer: "Vixe! Lá vem o cachorrinho com tudo pra acompanhar a mulher!"

Sorri e olhei pro lado, na área gramada para ver que Floquinho já me acompanhava. Continuamos nosso passeio, ele parando de vez em quando por querer marcar território (ou dizer que passou por ali) mas eu continuava seguindo, enfrentando buracos e desníveis que a passarela apresentava.

Mas meu pensamento estava longe ali. O garotinho me chamando de senhora, isso sempre me incomodou. Meu espírito teima em dizer que estancou nos 18, mas meu corpo teima em provar que estou beirando nos 40 anos.

Então, me coloquei no lugar do garotinho que gentilmente me avisou do Floquinho. Tentei me ver como ele me via e consegui. Não é difícil fazer isso. Basta você lembrar de si mesmo naquela idade (6 anos) e como você via seus pais.

Claro que você os considerava jovens, mas eles eram adultos. E pessoas da idade deles também recebiam o mesmo pronome de tratamento: Senhor e Senhora.

Quando eu tinha 6 anos, minha mãe tinha minha idade. Ou seja, lembrar do rosto dela naquela época, me faz entender que o tempo passou pra mim também. Eu estou envelhecendo. 

É engraçado constatar isso porque já me deram uma expectativa de vida até meus 35 anos. Bom, por pouco não se concretizou, mas felizmente estou aqui.



Vaso ruim não quebra.