domingo, 13 de abril de 2014

Qual a sensação...

  • De pisar e sentir a areia em seus pés? Ou a grama?
  • De calçar uma chinela de dedo, com aquela tira entre os dedos? De calçar um salto?
  • De mexer cada dedinho do pé?
  • De vestir uma calça jeans ou um shortinho? Sentir o atrito do tecido nas pernas?
  • De fazer pedicure?
  • De ir ao cabeleireiro e fazer o que quiser com seu cabelo?
  • De se sentir bem com seu próprio corpo?
  • De dançar qualquer ritmo musical?
  • De sentar-se no chão e cruzar as pernas?
  
  • De ficar de joelhos?
  • De sentir câimbra?
  • De pular?
  • De ir ao banheiro e demorar menos de 5 minutos?
  • De se vestir agilmente em pé?
  • De ficar por cima e comandar os movimentos?
  • De se sentir confiante e segura(o) de si?
  • De não ser julgado pela sua aparência física?
  • De ser uma pessoa normal?
 Sim, fui considerada qualquer coisa, menos gente... E sim, estou bastante depressiva hoje... E essa não é a primeira vez e muito menos será a última. Tudo isso vai definindo meu caráter. Meu olhar diante das pessoas que me cercam... Das virtuais até as mais próximas...

Acho impressionante a capacidade das pessoas de necessitar diminuir, humilhar e ridicularizar pessoas que já sentem isso sem a necessidade de ninguém esfregar isso na nossa cara...

Acho impressionante a capacidade das pessoas de te julgar gratuitamente sendo que a vida delas já é uma porcaria e deviam tirar a lasca de madeira do olho antes de querer tirar cisco do meu olho...

Acho de lascar a pessoa te olhar debochadamente de cima abaixo e deixar bem claro com o olhar de "desculpa querida, nasça de novo pra ver se fica com uma aparência melhor..." Porra!!! Eu nasci assim, eu faço de tudo para diminuir a gravidade do meu problema, dá pra você ser imparcial e tentar fingir que não está olhando para um tipo de experimento mal sucedido?

Como você se sentiria se alguém te olhasse de forma crítica e censurada? Pois é, eu também não gosto... Ninguém gosta!

Por que as pessoas tem a mania insuportável de agir sem pensar nas consequências de seus atos e palavras? De seus olhares tão expositores de emoção negativa, de repulsa?

E ainda tem quem julgue aqueles que não suportam mais viver...

E é por causa do marido e dos filhos, que eu fecho os olhos para a maldade do mundo e me prendo nesse cantinho que chamo de lar... Mas poderia ser também cortando minha realidade na leitura de um livro, fazendo minha mente viajar para outros países, conhecendo novas pessoas ou casais, mesmo fictícios e ignorando meu drama real. O drama de me considerar inútil.

O drama de ter tentado fazer algo na vida e que não deu certo, talvez por imaturidade minha mas muito mais por esperteza dos outros de tomar meu lugar, de puxar meu tapete porque meu lado da corda era o mais fraco...

O drama de ver que tudo o que eu sonho na esperança de ter a sensação de realização de vida, sempre, a todo instante, se esvai diante dos meus olhos... De ver todo mundo avançando e apenas eu, estancada no tempo... De me sentir um fardo mais do que a deficiência me torna.

De ser um prejuízo desde que nasci.

E vamos ver se consigo continuar sobrevivendo um dia após o outro.

Definitivamente hoje, eu não estou bem. Mas isso passa... Sempre.