quinta-feira, 19 de julho de 2018

Escultura casal na Elo7 - disponível em: https://goo.gl/4cZY9X
Oi pessoas,

demorei mas cheguei. Precisava desopilar e realinhar algumas coisas na minha vida.

Tive consulta no SARAH e preciso contar esse momento fofo/punk que vivi com uma menina de 14 anos que ao lado de sua mãe, puxaram conversa comigo enquanto aguardávamos nosso nome piscar na tela do atendimento.

A Ana nasceu com mielomeningocele, sem hidrocefalia, marchante, dependendo de sondas uretrais pro resto da vida também, está de férias da escola no momento e a cabecinha voando alto com muitas expectativas sobre sua vida e seu futuro. Quando a mãe dela perguntou qual era a minha deficiência e eu disse que era a mesma mielo, a Ana me encarou como se eu fosse um tipo de E.T., eu percebi que ela me olhou completamente diferente, com mais atenção, me olhando de cima a baixo, tentando identificar semelhanças e detalhes e confesso que apesar da gente ficar meio constrangida, eu já meio que me acostumei a esse tipo de olhar. O olhar que faz a pessoa pensar que no futuro ela poderá ser assim ou pode ser melhor, quem sabe?

Os olhos da mãe dela brilharam quando eu contei que era casada, tinha dois filhos e um cachorro. Que fui àquela consulta sozinha, dirigindo meu carro de forma independente, que meus filhos são fisicamente perfeitos, que sou formada em duas áreas e trabalho. Eu vivi/vivo minha vida relativamente como qualquer pessoa. Sem diferenciação alguma. Existem limitações, mas isso ocorre também pra quem não é deficiente.


A parte curiosa então, foi quando a Ana foi chamada para atendimento e a mãe dela ficou comigo conversando. Era a primeira vez que a Ana ia ser atendida sem a mãe. A menina estranhou mas olhou pra mim como quem diz: se você veio resolver suas coisas sozinhas, então eu também posso. -- E foi pro atendimento. A mãe contou que ela e o pai de Ana se amavam muito mas quando Ana nasceu, o amor foi dando lugar ao estresse no relacionamento por estarem se sentindo numa sala escura sem saber pra onde ir ou o que tocar. É...Acho que todos nós temos essa sensação de perder o chão ao mesmo tempo que a gente encontra coragem sabe Deus onde para encarar o desafio e seguir. E tentar fazer com que a vida de uma criança com mielo ou qualquer deficiência seja o mais próximo do normal. E é desgastante e eu particularmente considero a maior prova de amor que um casal pode demonstrar pelo outro quando ambos seguram a mão um do outro para dar o apoio necessário.

O casal se separou em 2010 e a madrasta da menina não aceita de jeito nenhum receber a criança na casa dela porque não é nada acessível por lá e ela não quer se responsabilizar por nada. O pai é muito presente e amigo de Ana e faz tudo pela filha. Os pais estão planejando realizar a festinha de 15 anos dela e isso mais uma vez está virando um grande desgaste a ponto da mãe pensar em desistir da festa e levar a filha pra conhecer a Disney.

Gente, a Ana é adolescente, certo? Ela já deve ter os paquerinhas dela... Os "crush"... Não é todo mundo que aceita trocar uma festa onde seu amado poderá estar e por sua causa para ir pra um passeio sabe lá Deus onde. A gente que tá com a vida ganha, nem pensaria duas vezes na viagem, mas para uma menina que sonha acordada com o crush dando atenção pra ela? Uau!

Eu lembro muito da minha adolescência e meus 15 anos não foi muito feliz porque fiquei hospitalizada na época devido a inúmeras cirurgias erradas que tentaram ajeitar a bagunça... Daí a mãe da menina me pediu para ficar quando ouvimos meu nome sendo chamado para minha consulta, porque ela queria muito que a Ana conversasse um pouco comigo. Ela queria que eu mostrasse pra Ana que apesar das dificuldades, ela poderia ter uma vida normal como todo mundo...

Quando terminei meu atendimento, elas estavam lá com os olhares cheios de expectativa e apesar da vontade de ir pra casa, acabei indo na direção delas. Assim que me aproximei, a mãe de Ana se levantou e disse que ia ligar o carro pro motor ir esquentando. Que não tinha pressa e depois ela vinha buscar a Ana.

E o que eu desconfiava, se confirmou. Ana gosta de um menino mas ele é muito na dele. Todos na escola sabem que ela gosta dele e que provavelmente ele também sabe mas ela é muito consciente que não tem a menor chance com ele. Mas ele é muito educado e simpático com ela. Na verdade, ele é assim com todo mundo. Mas ela adoraria convidá-lo pra festa de 15 anos dela. Só não tem coragem com medo de que vão rir dela por tamanha pretensão.

Nossa, como eu sei a sensação disso... Vivi tantas e tantas vezes que já passava reto. Nem machucava mais. Contei então pra ela que apesar de não ter tido festa de 15 anos, vivi uma experiência que poderia servir de lição para o que ela estava vivendo naquele momento.

Era período junino e tinham muitas barracas de comida e brincadeiras no pátio. Todas as turmas eram responsáveis por uma barraca e a minha, que vendia pratinhos de comidas típicas acabou em pouco tempo, logo, eu poderia curtir as outras barracas. Sempre vendo de longe a diversão mas nunca participando ativamente. Eu fazia (e faço até hoje) questão de não chamar atenção de ninguém.

O menino que eu gostava estava participando da barraca do beijo e naquela época, era só um selinho e era pra ser muito feliz! Uma bitoquinha de nada! Mas nossa, as meninas que conseguiram um beijo dele, só faltavam morrer. Eu particularmente quase comprei um ingresso pra tentar a sorte também mas, mais uma vez, não tive coragem. O medo de ser ridicularizada era maior. O preconceito era grande pela minha deficiência e eu vivia um bulying velado mas muito perceptível.

Terminou o tempo dele, ele saiu com aquele ar triunfante por ter arrecadado tanto pra barraquinha e eu suspirei imaginando como poderia ter sido. Então, eu fui pra barraca do pesque o peixinho e por estar na época numa cadeira de rodas me recuperando de mais uma cirurgia, era fácil pra mim pescar tudo e ganhar os melhores prêmios. Quando consegui conquistar o melhor da barraquinha, o vi sorrindo em aprovação pela minha conquista e lembro sentir meu rosto queimar por isso.

Só que tinha um grupinho idiota que queria o prêmio que eu peguei e elas tomavam conta da barraca do beijo e me levaram, empurrando minha cadeira até a barraca dizendo que todos os alunos da sala tinham que participar da arrecadação pro lar dos velhinhos e eu era a única que não tinha participado. Eu senti a morte naquele dia ao meu lado. Lembro que gelei, perdi toda a sensibilidade porque todos que me viam indo pra área central da barraca riam e balançavam negativamente a cabeça olhando pra mim. E a Emanuela (nunca esqueci teu nome desgraça) fez questão de gritar a plenos pulmões a procura de candidatos. Dois minutos e nada. Então a bênção divina grita que será uma oportunidade única, só um ingresso viveria aquele momento comigo... Mais gente rindo da minha cara e nada.  Emanuela berrou então que o ingresso seria vendido pela metade do preço. Tipo, um real e ela venderia a cinquenta centavos... Nada. Quando eu já tava com cara de choro, vendo uma professora assistindo aquilo e vindo em minha salvação para acabar com aquela palhaçada, eis que vem o Sergio, que joga dois reais na mesinha da Emanuela e disse baixo mas o suficiente pra todo mundo ouvir: pago o dobro por ela. -- E se abaixou, levantando gentilmente meu queixo para dar um selinho molhadinho, terno e demorado.

Foi uma gritaria tão alta, que eu não sei se todo mundo tava chocado como eu estava ou se todo mundo estava zoando com a Emanuela por ela ter quebrado a cara. Depois que ele parou de me beijar, ele ajudou a professora a me retirar da barraquinha e lembro que a Emanuela pegou suspensão pela atitude ridícula de me menosprezar. No ano seguinte, ela saiu do colégio. Já ele, depois desse dia continuou sendo o mesmo crush de sempre de todas as meninas da escola só com o detalhe de que a maioria tinha conseguido um beijo dele. Inclusive eu. Nunca mais consegui olhar pra ele depois desse beijo. -- Ai ai...boas lembranças...

Enfim, Ana se empolgou e disse que ia convidar seu crush para ser o príncipe na festa dela. Que queria ser capaz de poder dançar com ele, mas se ele aceitasse que encostasse a cabeça dela no peito dele, já seria tudo. E eu disse pra ela que o ideal era convidar todo mundo no mesmo dia, pra evitar aqueles comentários bestas das pessoas de que os preferíveis foram os primeiros. E depois, quando ele agradecesse o convite recebido, ela então estendia o convite convidando-o para ser o príncipe e que se ele não quiser, não tem problema mas já vai ficar muito feliz com a presença dele. Ou seja, não o obrigue ou o encurrale para ter que aceitar e correr o risco de não ir.

Pedi que ela tentasse ser o mais natural possível e não demonstrasse tanto assim o quanto ansiava por isso porque não há nada pior na vida do que a realidade matando as expectativas criadas. Que caso o paquerinha dela não aceite, ela terá um maravilhoso príncipe disponível para ela sempre - o pai.

Contei pra ela que eu vivi muitas desilusões mas a vida me surpreendeu inúmeras vezes. Colocou pessoas fisicamente lindas que todos consideravam que eram inatingíveis pra mim, mas quiseram ficar/namorar comigo. Eu era muito pé no chão, mas também era ingênua demais. Voava que era uma beleza... Mas quando se tratava de relacionamentos atingíveis, ou seja, quando já era beijada e tal... Bom, eu me fechava de um jeito, me protegia para evitar decepções que até o homem de ferro ficaria com inveja da minha armadura.

A pretensão de ser amiga sabendo que não tem chance, abria muitas portas. Eu era eu mesma, não precisava me encher de maquiagem, nem tentar jogar charminho por ninguém... Isso deixava todo mundo a vontade e as coisas acabavam acontecendo naturalmente. O segredo é esse... Haverão os preconceituosos encubados mas haverão também os que se sentirão atraídos por você, do jeitinho que és. Cuide de sua saúde e de sua aparência estando sempre cheirosa e escolha um perfume que faça com que se lembrem de você.

A deficiência física pode ser algo muito ruim em diversos aspectos na nossa vida, mas em questão de sentimentos, felizmente é muito raro vivermos uma relação superficial, o famoso ficar de hoje em dia... Quem demonstra que gosta de nós do jeito que somos, briga para ficar ao nosso lado, demonstra que se importa conosco. Quem não quer porra nenhuma, a não ser curtir, nem vem atrás da gente. E se vir, é pra algum tipo de aposta ou brincadeira de mau gosto, logo fica a seu critério chutar ou não.

Se policie muito para não agir como um vitimista, um coitadinho... Nossa, dá abuso essas coisas... Evite. Procure ouvir mais dos outros do que falar de si. Não vale a pena a gente ficar contando a história de nossas sobrevivências para quem não entende essas coisas... A gente precisa perceber o que está sendo conversado e buscar ficar no mesmo nível de assunto.

Aprenda a gostar do que te identifica, o que te agrada. Não vá pela cabeça de ninguém e nem pra tentar se encaixar em nada. Somos únicos e cada um com sua personalidade. No mais, o importante é viver o momento, pois bom ou ruim, ele passa e rápido.

Espero sinceramente que a Ana lá do SARAH e as Ana's que me procuram às vezes via instagram ou formulário por aqui consigam absorver o melhor desses meus conselhos e sejam muito felizes. Preconceito sempre vai ter, e independe de nossa aparência física.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Oi pessoas, como vai a vida?


A minha tá de acordo como Deus manda. Não posso e nem me considero digna de reclamar. Muita coisa acontecendo que não sei nem por onde começar. Mas a gente normalmente sempre fala daquilo que mais nos chama atenção, então vou jogar aqui um texto que fiz assim que acordei de um sonho logo cedo deixando também minhas impressões do que achei.
 

Imediatamente ao acordar, eu ativei o Google speaker/voz para ele passar as palavras pro bloco de notas e me dar a liberdade de dizer tudo, sem perder tempo digitando. Como nosso cérebro é mais rápido que nossas ações, eu resolvi adotar essa medida para facilitar minha vida e meu entendimento aos recados que recebemos.

Nosso coração ainda está pequenino pela perda recente na nossa família mas tenho fé que Deus há de nos ajudar a superar essa tristeza. O maior ensinamento foi dado e seus filhos jamais esquecerão quão amável e o quanto sofreu por se preocupar tanto com os outros e menos consigo mesmo... Rogo a Deus para que meus pais sejam fortes porque eu realmente não consigo imaginar essa dor assim no lugar deles...

Mas o sonho não foi bem sobre nossa perda e sim a perda de outra pessoa e já faz algum tempo que aconteceu. E quem se foi mais uma vez me buscou, chorando muito, dizendo que está muito decepcionada com a atitude ingrata e consequentemente infeliz que dará especialmente à filha dela, que não terá mais os cuidados desta pessoa que havia prometido cuidar como sua própria filha. 

A tentativa insistente, pedindo para eu abrir os olhos dessa pessoa... Mas (in)felizmente não tenho mais contato com ela e não posso fazer nada para ajudar, porque entendo que vivemos no nosso livre arbítrio e o que quer que tenha decepcionado essa amiga que se foi, tudo o que fazemos de mal, lá na frente terá sua colheita obrigatória. 

Não posso abrir os olhos de quem é consciente dos atos e sabe das consequências disso. O homem engana o homem, mas à Deus? Eu sinceramente, fico lembrando dos detalhes mencionados por essa amiga nesse sonho e fico pensando que não vale a pena eu tentar me envolver ou procurar X ou Y se ela sabe muito bem o que está fazendo e também sabe que o resultado será consequentemente muito desastroso.

Sempre lembro e lamento a perda dessa pessoa que vi no sonho. Lembro da filhinha que ficou por causa da violência, e eu queria muito, de todo coração que essa criança tivesse um futuro diferente da realidade que a família dela convive...

Às vezes, as coisas ruins nos acontecem e a gente se considera vítima, não entende por quê, mas é importante lembrar que essas coisas ruins são retornos das coisas ruins que causamos para os outros. Seja na vida passada ou nessa vida... E isso pode acontecer de forma branda (como perder um emprego, por exemplo), como de forma muito severa e dolorosa (uma doença grave ou até morte).

Eu procuro ser justa em tudo o que faço, bem ou mal, eu faço justiça usando nisso os trâmites da lei, fico me colocando no lugar da pessoa pra tentar entender o motivo dela ter feito aquilo comigo; claro que saio perdendo na maioria das vezes, mas a pessoa que me fez mal, especialmente se sou inocente, aprende da vida e nunca mais faz merda novamente. O mundo dá muitas voltas, e quando você menos espera, o retorno chega e nele o pagamento é à vista.
 

Eu sinto muitíssimo pela dor dessa amiga, deve ser angustiante querer o melhor pra sua filha mas ver que no final, será tudo a mesma coisa. Talvez já desabafando aqui, a irmã veja e tente policiar suas ações... Parece que são atos muito graves mas tenho fé que Deus vai proteger aqueles que mais precisam:


Foi um sonho quase beirando ao pesadelo; Eu assistia num telão enorme uma imagem de um local meio deserto, escuro e úmido. Era muito estranho. Ao meu redor, o ambiente tomava as proporções da imagem do telão, ficando também escuro e o ar meio frio... Era de causar grande desconforto porque só me veio na mente a ideia do Umbral.
De um lado, no lado esquerdo, eu vi a luminosidade de uma impressão de nascer do sol e reconheci meus pais, minha família toda sendo tomada pela luz desse renascer do sol. Mas do outro lado, eu via sombras, e um choro inconsolável e doloroso de uma criança.
Então eu vi minha amiga que já partiu. Ela chegou imediatamente me abraçando e pedindo para que eu a ajudasse com a filhinha dela. E então, entendi que a filhinha dela era a criança que chorava copiosamente no lado sombrio. Quando olhei novamente buscando meus familiares, não havia mais ninguém no lado da luz e estranhamente o sol que estava nascendo era bloqueado por algo que deixava o local ainda escuro e sombrio.
Eu e minha amiga começamos a andar, de mãos dadas na intenção óbvia de tentar acalmar aquela criança e como se precisasse de apoio para não ir sozinha, ela apertava firmemente minha mão demonstrando o quanto queria que eu fosse junto. E eu fui. O local ficou mais escuro e o ar entrecortado de tão frio e úmido. Minha amiga, chorava e dizia "por favor, não" e "minha filha". Eu a olhei com atenção e vi que ela parecia melhor do que da última vez que a vi em sonho e entendi que provavelmente ela já era alguém de luz.
Tentei acalmar essa amiga e motivei a darmos mais um passo e a criança chorava mais alto chamando pela mãe. Mas a mãe parecia não ser minha amiga. Quando andamos mais um pouco, vimos a criança sozinha. Suja, comendo porcarias e dizendo palavrões. Quando tentei tocá-la para que minha amiga pudesse sentí-la, ela tentou procurar se eu tinha bolsos como se procurasse algo, na visível impressão de fazer aquilo pra me roubar.
Minha amiga ficou com a expressão ainda mais arrasada. Perguntamos então pra menina onde estava a mãe dela e ela apenas respondeu: levaram ela. -- Eu confesso que fiquei confusa porque não sabia se a menina dizia em referência à minha amiga ou a quem está cuidando dela hoje.
Minha amiga então olhou pra mim e me pediu aos prantos para ajudá-la a alertar para tentar impedir que o futuro de sua filha fosse de escuridão, que estava decepcionada demais com tudo aquilo, que era muita ingratidão a quem só fez o bem e ela não soube aproveitar. E eu fiquei repentinamente muito zangada, como se algo tivesse acontecido contra mim e não consegui responder que ela poderia contar comigo. Simplesmente eu não conseguia mais dizer nada. A voz sumiu pressionado por um soluço angustiado de revolta por algo que foi feito, mas que não fazia ideia do que poderia ser.
Acordei passando mal, fui no banheiro e agora estou tentando lembrar desses detalhes do sonho. Foi um aviso, eu sei que foi, e eu sinto muitíssimo por ter decepcionado essa amiga e não dizer que ela poderia contar com minha ajuda. Mas enquanto viva, eu não media esforços para ajudar e fazia de bom grado como se fosse uma irmã. Mas acho que minha missão se cumpriu assim que ela fechou os olhos.


E é isso. Se ajudar de alguma maneira: seja feita a vontade de Deus. 

Ninguém pode mais do que Ele. E se Deus é por nós, quem será contra nós?

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Respira Izabele... Conta até 10... Respira... Passou...passou...

Tem gente que pensa que determinadas coisas que a gente diz é brincadeira, mas chega um momento que não dá mais pra bancar o simpático, ou educado ser humano...

A vida muda constantemente, e assim também são as pessoas. Eu vivo mudando meus conceitos. Chega uma hora que a pessoa tem que parar e pensar: Ah, essa piadinha já deve ter perdido a graça. Melhor parar...

Mas infelizmente, além de ser desrespeitosa comigo que sou casada inclusive, ainda fica debochando da minha cara, para que eu acabe me lembrando o quanto já fui debochada pelos outros que me interpretaram tão erradamente quanto essa criatura...
 

Amore, isso me irrita profundamente! Não cutuca minha ferida não, infeliz...

Você tá trabalhando, a cabeça a mil e daí para tudo para lembrar que você será eternamente considerada trouxa pelos outros. PQP!

Eu não tenho mais saco para discutir com ninguém... Simplesmente leva vácuo assim que eu entendo o "recado".




Como sei que mais cedo ou mais tarde virão aqui para saber o que aconteceu e o motivo do bloqueio, segue o meu recadinho mais do que claro e meigo que não me interessa saber da vida alheia:




PS: Ser humano motivo desse assunto printado: 

Parabéns pelas conquistas, sejam elas quais forem. O importante é todo mundo ser feliz.
(Ué, vai que um milagre acontece e até o ser humano vem aqui também?!)

domingo, 3 de junho de 2018


Hoje vou ceder meu espaço para um amiguinho que fechou os olhos e se entregou aos sentimentos e com isso, ganhou uma briga feia... Da sociedade preconceituosa.

Aconteceu comigo, acontece com qualquer casal onde um deles é PCD (pessoa com deficiência). E não importa se é uma limitação visível ou quase imperceptível. "Como pode uma pessoa tão bonita e atraente se interessar por alguém assim?!" - essa é a frase mais clássica existente já escutada de 10 entre 10 casais.

Como já disse antes, não é qualquer um que tem a sensibilidade de se apaixonar por alguém além da aparência, mas é inspirador. E apesar de existir mentes doentes que consideram que alguém vai sair machucado no final, porque o cara só pode estar com alguém assim por interesse, é muito fácil perceber quando o sentimento é verdadeiro ou não: se a pessoa se importa com você, ela demonstra. Se não, mande pastar pra não perder seu tempo.



Oi Iza, te acompanho desde o twitter e sempre admirei sua personalidade. No início do ano passado, eu conheci uma garota que possui uma deficiência mais limitada que a sua, visto que ao menos você pode andar. Mas isso não a impedia de se divertir com os amigos. Temos a mesma idade, 20 anos. No começo, eu fiquei cuidadoso porque acredito que é natural a gente achar que a pessoa precisa de cuidados e atenção redobrada mas depois eu percebi que a cadeira de rodas dela era como você chama: "as pernas que são rodas". Super independente, ela não vê tempo ruim para sair e se o local não é acessível, ela tenta com seus próprios braços equilibrar a cadeira levantando-a, empinando, deixando qualquer um de queixo caído. Então, numa dessas vezes em que nosso grupo de amigos foi a uma sorveteria, ela empinou a cadeira pra descer um batente da calçada e quase sua cadeira virou com tudo pra trás. Eu consegui impedir a tempo. Acho que meu encantamento foi maior ainda porque eu vi que ela ficou sem jeito por quase ter caído, mas aquela percepção de vulnerabilidade me atraiu de uma forma que eu não conseguia mais tirar os olhos dela. Foi a primeira vez que a olhei diferente, além de amiga de galera.... E claro que a galera começou a zoar que eu era o guarda-costas dela, que eu estava sempre atento e ela me tratava normalmente como todos os nossos amigos, ela não me olhou diferente uma única vez. E parece que quanto mais ela agia indiferente à minha atenção, mais atraído eu ficava. Então no carnaval, eu já estava mega ansioso pra saber o que a galera havia decidido, se todos iríamos para a casa de praia ou ficaríamos na cidade. Confesso que eu já estava quase desistindo daquele sentimento platônico por ela, então meu amigo disse que a galera ia pra casa de praia porque a Nanda não poderia ir. Eu murchei imediatamente e por pouco desistia também. Como éramos um grupo de 6, os quartos já estavam divididos pra rolar uma curtição, e pelo visto alguém ia sobrar... Não estava nos meus planos ficar sem transar no carnaval, mas eu ia deixar as coisas rolarem e o que acontecesse, já foi...Chegamos na casa na sexta, e tomamos todas! Porém, não quis ficar com ninguém nessa noite. As meninas eram atiradas demais e isso me deixou meio enojado (qual é, não ia rolar nem um charminho pra deixar o negócio interessante?) E então, quando acordei no dia seguinte, tomei uma ducha, depois o café da manhã e percebi uma sacola de viagens na sala. Quando cheguei na piscina, ela estava lá, na cadeira de bronzear junto das nossas amigas. A cadeira de rodas colocada numa sombra e os parça apostando quem chega do outro lado da piscina primeiro... Foi a primeira vez que vi o corpo dela por inteiro e se não fosse pelas pernas atrofiadas pelo tempo desde o acidente de carro, não haveria qualquer outra diferença nela para outras mulheres, na minha opinião. Tem menina com a cabeça atrofiada, né? Então! Me aproximei e a cumprimentei dando-lhe um beijo em sua cabeça. Então fui pra piscina. Foi também a primeira vez que percebi o olhar dela na minha direção. Obviamente busquei mostrar todos os meus atributos para conquistá-la e nem me surpreendi mais com a ideia de querer ficar com ela. O que me surpreendeu foi o comentário dos rapazes achando que a limitação dela ia atrapalhar os planos deles, mas isso não aconteceu porque eles curtiram o carnaval como ninguém, com direito a muita bebida, sexo e curtição. Duas semanas depois do carnaval, nós saímos pra comer uma pizza e umas meninas começaram a me paquerar na frente dela. Infelizmente ela não se importou com nada, era indiferente pra ela e eu frustrado por não chamar atenção dela como aconteceu na piscina no carnaval, acabei ficando com a menina lá mas só rolou uns pega mesmo, nada demais. Eu não entendia porque a Nanda agia tão indiferente a sentimentos, não sei se isso me brochou mas eu não tava mais a fim da garota. Ainda naquela noite, um cara ofereceu um brigadeiro pra ela tirando da bandeja de doces da pizzaria, e ela gentilmente agradeceu negando o doce. Parecia que se fosse pra se aproximar dela dessa forma, ela não permitia. Parecia que pra ela, só era permitido olhar... Algo além disso, estava fora de cogitação. Você veio imediatamente nos meus pensamentos porque com certeza você saberia explicar essa atitude dela. Me vi lendo seu blog, pesquisando e estudando tudo o que você já tinha passado... Daí, nas férias de julho passado, a galera combinou de curtir a noite e dançar. Ela se encostou num canto e ficou com a bolsa de cada uma das meninas, e isso me incomodou muito. Aluguei um armário e coloquei a bolsa das meninas lá dentro e puxei a cadeira dela pra pista. Ela ria e se mexia em sua cadeira de uma forma que me excitou muito. E mesmo ciente dos olhares boquiabertos pra nós, eu só conseguia ter olhos pra ela ali. Me insinuei de um jeito que faria qualquer gogo-boy ficar com inveja. Peguei suas mãos e a fiz tocar no meu corpo, fiquei centímetros do rosto dela e percebi o quanto ela estava tão acesa quanto eu e rapidamente já comecei a pensar como sair dali com ela pra que finalmente ela me sentisse por inteiro. E foi a partir daí que as coisas começaram a mudar nas nossas vidas. A galera começou a querer sair e não levá-la junto. E eu me incomodava do porquê agora querer excluir a Nanda dos nossos passeios. Daí um dos caras abriu o jogo pra mim. Tava esquisito a maneira como eu me comportava com ela. E eu fiquei tipo: Como assim, velho? e ele disse que era estranho porque ela era cadeirante e as outras meninas ali à disposição e eu dando atenção pra Nanda. Ué? E o que há de diferente na Nanda pra outras minas? Ela é mulher, é atraente, é bonita, simpática, é independente mesmo tão limitada... E eu confessei abertamente também que tava a fim da Nanda. Que queria muito ficar com ela. Parecia que eu tinha proferido o pior dos pecados em alto e bom som. Nunca pensei que o preconceito estivesse tão próximo assim da gente. A atitude desse cara foi tão lamentável que eu nem gosto de lembrar. Era exatamente a forma como você costuma(va) dizer: pessoas que se aproximam por pena ou interesse. Isso acaba fazendo a gente enxergar as coisas de uma maneira completamente diferente.  A gente sempre conversava no Whatsapp e eu sempre me insinuava pra ela, o que eu achava divertidíssimo porque ela respondia super empolgada dizendo coisas que me deixavam com o ego nas alturas, se eu tivesse um dia ruim, bastava falar com ela, que o dia ficava perfeito. Mas pra ela, era como se eu estivesse fora do alcance dela. Areia demais pro caminhãozinho dela... E mesmo que eu respondesse que ela poderia dar quantas viagens ela quisesse, ela dava um jeito de se sair. Então entendi que ela também temia por conta do preconceito ao redor e por isso ela buscava evitar se apegar de alguma forma. Meus sentimentos ficaram mais firmes e o que antes poderia ser apenas uma atração física, se transformou para muito mais do que eu podia imaginar. Então, sabendo que ela não sairia sozinha comigo, menti que a galera tava combinando de fazer uma festa surpresa pra Paty e marquei com ela de ir buscá-la em sua casa para irmos pra festinha surpresa. Procurei vestir o melhor que tinha e até usei o perfume que ganhei no meu último aniversário que ainda estava na embalagem intacto. Meu coração quase saiu pela boca quando a vi saindo do elevador, ela tava tão linda e tão natural que quase a beijei ali mesmo. Ajudei a entrar no carro, fechei sua cadeira e coloquei na traseira e me imaginei fazendo isso de agora em diante e sorri com a ideia... Ela tentou ser gentil, e procurou abrir a porta pra mim, e nesse gesto, eu não consegui resistir. O cheiro dela tomou de conta de todo o carro e o olhar dela satisfeito ao me ver ao seu lado ali, foi o bastante pra segurar seu rosto em minhas mãos e beijá-la suavemente nos lábios. Foi o beijo mais terno e carinhoso que já dei na vida. Foi inesquecível. Demorado, calmo, explorando-a como um tesouro recém-descoberto. Pra mim, era uma mulher como qualquer outra. Só que ainda melhor. Lembro que esse beijo me deixou tão excitado que achei que minha calça ia rasgar, especialmente por sentir o toque dela na minha nuca retribuindo o calor e leve mordidas que dava em seus lábios. Não faço ideia por quanto tempo ficamos nos beijando mas esquecemos tudo ao nosso redor. Eu não liguei mais o carro, não precisei mais sair pra lugar nenhum porque ali já era o suficiente pra nós dois. Um tempo depois, o celular dela tocou e então nós percebemos que ficamos 2 horas e meia trocando beijos silenciosos sem necessidade de verbalizar nada. E então, quando a coloquei de volta na cadeira de rodas e chamei o elevador pra ela, ela me agradeceu pela noite e que nunca ia esquecer aquilo. Meu Deus, ela achou que só ia ficar até ali. Doce ilusão dela! Me abaixei pra ficar à sua altura e a beijei novamente dizendo "até amanhã". Hoje, enfrentamos o preconceito enraizado de familiares dela e meus também. Nosso grupo de amigos continua o mesmo mas perceptivelmente mais afastado, mas a gente não se importa, e eu espero sinceramente que nossa comemoração ao nosso primeiro ano de namoro seja tão feliz quanto todos os dias que já vivemos juntos. Eu amo essa mulher e me vejo como futuro marido dela.  E ver sua história me inspira em perceber que no final das contas, no final das caras feias e tudo mais... no final, ali, no quarto, entre quatro paredes, o que importa é apenas o que nós dois sentimos um pelo outro. E te digo de todo coração: Eu sou muito feliz com ela. E eu faço o que posso pra ela perceber que nenhuma mulher me satisfaz tanto quanto ela. Eu sempre venho aqui e leio suas postagens de desilusões e decepções amorosas e de amizades... Nelas, eu consigo estudar todas as formas possíveis para evitar que ela sofra qualquer coisa desse tipo e me policio para sempre estar atento ao que ela quer dizer nas entrelinhas. Este ano, nós iremos terminar a faculdade e como ambos já trabalham, acho que não seria exagero da minha parte querer noivar. Bom, e é isso que eu queria te contar sobre minha história. E pra mim, a Nanda é a garota mais perfeita que já encontrei...PRA MIM. Obrigado por compartilhar sua história, Iza."

É ou não é pra morrer de amores? Ai gente... Eu num guento... E então, sem querer, esse amiguinho aí acaba de inspirar mais pessoas, mais casais, tanto quanto eu poderia fazer.

E aí? O que será que atraiu o rapaz? O corpo da menina? A beleza dela? Hmmm... Acho que não, hein? Tenho certeza que foi a personalidade. E até mesmo a indiferença dela por achar que ninguém iria querer ficar com ela.

E isso vale para os casais onde um deles é mais velho que o outro, ou que um deles é fofinho que o outro, ou mais magrinho, ou do mesmo sexo... Enfim... Aparência não significa muita coisa quando a personalidade se sobrepõe. De que adianta um rostinho bonito se a pessoa é totalmente narcisista. Que pra tudo tem que postar nas mídias naquela necessidade doente de ganhar likes pra se sentir especial? 

Eu amo ver pessoas queridas compartilhando momentos especiais em suas mídias mas fico muito mais feliz quando elas chegam pra mim e dizem que estão indo muito bem obrigada e por isso não tem tempo pra acessar essas coisas... Ah, acho isso tão chique! Não é que "quem é feliz não posta nas redes", mas simplesmente porque anda ocupado demais vivendo off, que não precisa aparecer on só pra chamar atenção dos invejosos desocupados da vida.

Se você tá vivendo um momento feliz como esse exemplo acima, enfrenta! Se vale a pena, não desista. Não interessa a cara feia de ninguém, se no final será apenas você e a pessoa amada. Só esteja ciente que tudo na vida tem seu preço.

Como aconteceu comigo quando meu amado me pediu em casamento: Foi emocionante sim, mas quando ele foi pedir minha mão à meu pai, ele respondeu que só concordaria se meu amado estivesse ciente que minhas limitações iam além do que ele via até então. Que haveriam dificuldades maiores posteriormente porque uma coisa é viver separado da pessoa que você ama, mas quando vocês juntam as trouxas, o babado muda completamente. Você é você, não há mais como demonstrar apenas seu lado bom e romântico...

Eu particularmente sinto muita falta da época que eu me sentia mal, ia pro hospital com o marido e ele se deitava na cama comigo, fazendo carinho na minha cabeça o tempo todo, me acalentando, fazendo que eu melhorasse em questão de minutos. Hoje, com dois filhos, ele precisa ficar com as crianças enquanto eu tenho que melhorar sozinha lá cama do hospital. O que eu quero dizer é que a realidade do casal muda, mas a intensidade dos sentimentos, permanecem se você permitir. É uma luta constante para manter a chama acesa.

E acredito que isso independe de limitação física ou não. A única diferença então, é que nós aprendemos a valorizar o relacionamento e a pessoa com quem estamos de tal maneira que se algo está errado, nós tentamos corrigir o problema, e não nos livrar da pessoa. "Quando a luz da casa queima, a gente não se muda de casa por causa da lâmpada, a gente troca a lâmpada e continua dentro de casa".

Amei ler o depoimento desse amiguinho e relembrar as poucas e boas que passei quando namorei meu hoje amado esposo. E desejo muitas felicidades a esse casal e a todos que buscam ser felizes, além das aparências.

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